Processos sobre contas CC5 vão para Curitiba
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terça-feira, 19 de novembro de 2002
Denise Angelo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Dentro de aproximadamente uma semana, os processos que investigam as contas CC-5 e que envolvem a participação de diretores dos bancos envolvidos no esquema de envio ilegal de dinheiro para fora do País, serão encaminhadas, de Foz do Iguaçu, para a Justiça Federal em Curitiba. A transferência está sendo feita para que os mais de 700 processos ganhem agilidade. Até agora a Justiça Federal já confirmou a transferência dos processos que envolvem diretores e gerentes do Banco Araucária. Porém, os casos das contas abertas nas agências do Banestado também devem ser remetidas a Curitiba.
O escândalo do envio ilegal de remessas de dinheiro para o exterior, as famosas contas CC-5, começou a ser investigado em 1999 pelo procurador de Cascavel, Celso Antônio Três. Hoje são mais de 700 inquéritos instaurados pela Polícia Federal, que tentam rastrear algo em torno de R$ 14 bilhões que deixaram o Brasil de forma ilegal.
Entre 1992 e 1998, as CC-5 possibilitaram a remessa de R$ 124,1 bilhões de reais (valores de 1998) para o exterior. As transferências de pessoas jurídicas somaram R$ 117 bilhões, enquanto que as de pessoas físicas alcançaram a cifra de R$ 7,1 bilhões. Mandaram dinheiro para fora 1,7 mil pessoas físicas e mais de 5 mil empresas, bancos e corretoras.
Numa análise preliminar, o procurador Celso Antônio Três constatou que 50% das remessas feitas por pessoas jurídicas e 80% das remessas de pessoas físicas continham indícios de algum tipo de irregularidade.
Foz do Iguaçu foi a terceira colocada no ranking das cidades brasileiras que mais efetuaram remessas CC-5, em números globais, e a primeira quanto a remessas de pessoas físicas. Via Foz, saíram R$ 8,1 bilhões, valor equivalente a 56 orçamentos anuais da cidade, em valores de 1998. Na lista nacional das 50 maiores remessas de pessoas físicas, a cidade aparece com 21 nomes, contra apenas quatro de São Paulo, o maior centro financeiro do País.
Para fazer a emissão do dinheiro para o exterior, os envolvidos usavam os famosos 'laranjas', pessoas simples, que muitas vezes nem sabiam que estavam envolvidas no crime. Em todo o País foram identificados 307 'laranjas'. Eles foram utilizados em 54% das remessas de pessoas físicas. Entre as 90 pessoas que enviaram mais de R$ 20 milhões, apenas 20 pagaram Imposto de Renda em 1998. As outras 70 se declaram isentas ou simplesmente não prestaram qualquer tipo de informação à Receita Federal.
A partir do final de 2001, o escândalo das CC-5 teve novos desdobramentos. Em consequência dos atentados terroristas aos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, os agentes americanos do FBI passaram a rastrear todas as operações bancárias realizadas no país por cidadãos com nomes árabes. Acabaram encontrando transferências milionárias realizadas por doleiros brasileiros, que partiram de Foz do Iguaçu.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal já descobriram que de Foz o dinheiro fazia uma escala em bancos paraguaios e de lá partia, na grande maioria, para contas abertas numa agência do Banestado em Nova York. A remessa do dinheiro era feita por diversos bancos, dentre os quais o Araucária. Com a entrada do FMI nas investigações, foi possível descobrir que de Nova York, o dinheiro era encaminhado para paraísos fiscais, e redistribuído a cerca de 35 mil pessoas físicas e jurídicas.


