Processos contra Renan devem ficar para 2008
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de outubro de 2007
Agência Estado 
Brasília - Após quatro horas de muita discussão, o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), voltou atrás e rejeitou a unificação dos últimos dois processos contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ontem. O gesto atendeu a oposição, que se posiciona contra a relatoria de dois casos na mão do senador Almeida Lima (PMDB-SE), integrante da tropa de choque de Renan. Quintanilha, por outro lado, sinalizou que relatórios não devem ser votados este ano.
O presidente do conselho deu prazo de preliminar de 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias, para que os dois relatores façam pareceres sobre os respectivos processos. E não deu nenhuma garantia de que as duas representações venham a ser julgadas ainda este ano. ''Eu não dou garantia nenhuma. Tudo vai depender dos relatores'', afirmou. Ele ressaltou que só resolveu desmembrar as duas representações diante do apelo da maioria dos senadores.
Lima ficou com um dos casos e Quintanilha anunciará hoje a escolha do outro relator. A terceira representação trata da denúncia de que Renan usou ''laranjas'' para compra de emissoras em Alagoas e a quarta se o senador peemedebistas participou de um esquema de pagamento de propina envolvendo ministérios do PMDB.
Também ontem, o relator do segundo processo, senador João Pedro (PT-AM), afirmou haver a necessidade de que sejam feitas diligências para aprofundar a investigação das denúncias que apontam suposto favorecimento da cervejaria Schincariol por intermédio de Renan.
A polêmica que tomou conta da reunião também impediu a votação do relatório de João Pedro (PT), sobre o caso Schincariol, que já havia adiantado que pediria o sobrestamento (paralisação) do processo no Senado até o fim da investigação na Câmara por conta do envolvimento do deputado e irmão de Renan Olavo Calheiros.
A reunião foi marcada por um clima tenso e troca de acusações. Lima estava muito exaltado e chegou a dizer em resposta ao senador José Agripino (DEM), quase aos berros: ''Aqueles que não me respeitaram serão desrespeitados, na mesma medida.'' Agripino questionava a nomeação de Lima, assim como Arthur Virgílio (PSDB), que chegou a se oferecer a assumir a relatoria no lugar do peemedebista.
Lima faz parte da tropa de choque de Renan e como relator do primeiro processo recomendou o arquivamento do caso. O senador era acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista, mas foi absolvido em votação no Senado em setembro. Ainda ontem, Renan negou ter batalhado para que Quintanilha escolhesse seu aliado como relator.
Os oposicionistas elogiaram a decisão. O senador Renato Casagrande (PSB-ES) disse que as coisas foram ''recolocadas no lugar''. ''Pelo menos parte das nossas preocupações foram atendidas com debate que fizemos aqui no Conselho de Ética. Naturalmente, a manutenção da tramitação das representações em separado é uma garantia legal que temos a partir de agora'', afirmou.
O líder do DEM, senador José Agripino (RN), disse que a decisão de Quintanilha ''cede ao bom senso''.


