Processo que envolveu FHC foi arquivado
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sábado, 08 de abril de 2006
Eduardo Kattah<br> Agência Estado 
Belo Horizonte - Em março de 2002, no município mineiro de Buritis, os sem-terra invadiram a Fazenda Córrego da Ponte, que pertencia aos filhos do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Os invasores ficaram na sede da fazenda durante 24 horas, assistiram TV e se serviram de bebidas, até a chegada da polícia. Na ocasião, 16 pessoas foram presas, indiciadas em inquérito policial e liberadas nove dias depois.
O líder do grupo era Jorge Augusto Xavier, o Jorjão, cuja trajetória dá idéia dos confrontos dos sem-terra com a Justiça. O inquérito sobre a invasão da Córrego da Ponte não deu em nada. Os proprietários não formalizaram queixa, foram apontadas falhas no procedimento policial e, por fim, em julho de 2003, o Ministério Público Estadual solicitou o arquivamento do caso.
Na ocasião, Jorjão já era bem conhecido na região. Em 1999 tinha liderado o saque a um caminhão carregado de adubo e chegou a ter sua prisão preventiva determinada. Em março de 2001 fora preso e liberado em seguida durante a ameaça de invasão da Fazenda Renascença, que pertencia ao então embaixador do Brasil na Itália, Paulo Tarso Flecha de Lima.
Jorjão foi considerado radical até pela direção do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), que o afastou em 2004. Ele filiou-se à Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf) e, em agosto, daquele ano estava à frente do grupo de militantes que apreendeu e ameaçou incendiar um veículo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Mais tarde apareceu com destaque num confronto entre militantes do MST e da Fetraf, que deixou um sem-terra morto e outros feridos. Jorjão levou uma facada.
Com 38 anos, morando num assentamento e na liderança dos sem-terra, ele disse ao Grupo Estado que, pelas suas estimativas, só na Comarca de Buritis existem 16 inquéritos e processos com seu nome. Em quatro ocasiões já foi condenado em primeira instância, mas recorreu ao Tribunal de Justiça e os processos foram arquivados.


