No aspecto político, Cézar Bueno e Mário Sérgio Lepre salientaram acontecimentos favoráveis para a consolidação da democracia e do sistema eleitoral. ‘‘Acho que esse ano de 2006 foi fantástico do ponto de vista da consolidação das instituições democráticas. Sinceramente tenho muitas dúvidas em saber se tivemos de fato índices, em termos numéricos, de maior corrupção no país em 2006, ou se em 2006 houve de fato maior democratização dos meios de comunicação. São coisas bem diferentes. O índice assustador que mostra um processo violento de corrupção sistêmica dentro e fora do Estado e as instituições passaram ilesas a esse processo’’, apontou Bueno.
  Ele ainda ressaltou como positiva a ‘‘parada das privatizações criminosas’’. ‘‘Eu não estou discutindo neste momento a socialização do Estado, mas uma coisa é adotar uma política aberta da lei da concorrência, outra coisa é fazer uma pura e simples entrega criminosa dos recursos do Estado.’’
  Para Lepre, pela primeira vez, foram expostos aos eleitor dois pólos distintos nas eleições. ‘‘O Brasil viu dois lados claros. O Lula tem uma proposta, que é a do governo, que é a proposta de Estado, de não crescer. Por que não quero crescer? Porque tenho que distribuir para o meu amigo, porque tenho muitos amigos, quero favorecer esse grupo. E a outra proposta, que é diferenciada, ou seja, que diz que o Brasil precisa se desenvolver e o Estado brasileiro é um grande problema e por conta disso temos que modificar essa estrutura, diminuir a corrupção, que drena recursos. Não estou dizendo que a outra proposta ia fazer exatamente isso’’, ponderou.
  Bueno também apontou ações políticas do governador Roberto Requião (PMDB), que considerou positivas. ‘‘É a retomada da capacidade de investimento do Estado do Paraná durante o governo Requião e acho que essa briga saudável do governador, apesar de ter sido derrotado incisivamente nas instâncias judiciais em relação ao pedágio, são fatores positivos’’, destacou.
  O posicionamento de Bueno em relação à briga do pedágio encontrou resistência do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Paraná, Alberto de Paula Machado. ‘‘Aquilo foi uma irresponsabilidade de alguém que tem formação jurídica e assistido por procuradores do Estado. Ele sabia que os contratos eram válidos e transformou isso em demandas judiciais milionárias que vão ser pagas pelos próximos governantes. Elogio o governo Requião em vários aspectos, mas neste aspecto do pedágio, foi um discurso eleitoreiro e irresponsável e que nós vamos pagar esse preço porque todas elas têm ações judiciais contra o Estado de reparação pelos prejuízos’’, rebateu. (C.O.)

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