Processo exclui legião dos 'sem-título'
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segunda-feira, 02 de agosto de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que Londrina possui 328.340 eleitores. A estimativa populacional da cidade para 2003 é de 467.334 habitantes. Porém, nessas quase 140 mil pessoas que sobram na contagem não há somente menores de 16 anos ou entre 16 e 17 que não optaram por tirar seus títulos de eleitor. Nessa massa, é fácil encontrar homens e mulheres de 20, 30, 40, e até 60 anos que nunca votaram ou que perderam seus títulos e estão há décadas sem cumprir com seu dever de cidadão.
Jaqueline de Souza Pimenta, 32 anos, é um exemplo. Ela nem se recorda quando votou pela última vez. ''Faz muito tempo'', confessa. Jaqueline perdeu o documento e desde então desistiu de votar. ''Teria que pagar multa e deixei para lá. Nem tenho vontade de votar porque eles fazem tudo igual. O desemprego está a mesma coisa'', diz.
Cláudia Maria da Silva, 35 anos, afirma que votou em apenas duas eleições, mas nunca foi retirar seu título de eleitor no cartório eleitoral. ''Eu tinha um papel com o número da seção e depois perdi'', relata. Ela diz acreditar que não perdeu nada não participando dos últimos pleitos. ''Detesto esse negócio de eleição. A gente só tem que votar neles por obrigação'', desabafa Claúdia. Entretanto, ela pondera que precisa regularizar a situação porque o título de eleitor é um documento necessário.
''Tenho mais coisa para fazer'', declarou Devanil Melo da Luz, 32 anos, que nunca votou. ''Se fosse o meu voto que resolvesse alguma coisa eu até votaria'', desdenha. Raquel Correia Pinto, 31 anos, também nunca escolheu um candidato para representá-la na política. ''Eu até tenho vontade mas não sei como é que tira, se tem que pagar ou não'', afirma. Além de não ter título de eleitor, Raquel diz que perdeu todos os documentos. ''Só tenho a certidão de nascimento'', observa.
O pedreiro Pedro Pereira, 38 anos, recorda que perdeu seu título em 1994. ''Depois fui preso por homicídio e só saí em 1999. Minha indentidade vai chegar e depois vou tirar outro título'', adiantou. Para ele, o voto é importante. ''Vale à pena votar porque você elege um cara que vai fazer bem para o município'', justifica.


