Processo depende de duas assinaturas
Os vereadores que fazem oposição ao prefeito de Londrina na Câmara passam o dia hoje buscando as duas assinaturas que faltam para a instalação da Comissão Processante, o sinal para a instauração de um processo de cassação do prefeito Antonio Belinati por causa de desvios investigados pelo Ministério Publico em autarquias. A oposição contabilizava até ontem o apoio de nove dos 21 vereadores. Para uma Comissão Processante, são necessárias 11 assinaturas.
Segundo informações do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida, os partidos (PMDB, PSDB, PDT, PT, PC do B, PV, PMN, PTN e PHS) reuniram-se na última sexta-feira, em Londrina, e decidiram votar fechados na questão pró-cassação. ‘‘Quem não votar favorável a uma Comissão Processante, corre o risco de perder a legenda’’, ameaçou Cheida. Ele reafirmou a disposição da oposição de apresentar o assunto amanhã na Câmara.
Os 45 membros da executiva municipal do PSDB de Londrina se reúnem hoje às 19 horas no Hotel Bourbon para formalizar a posição do partido. Os quatro vereadores da bancada tucana devem ser instruídos pela executiva a votar a favor da abertura da Comissão Processante. ‘‘O voto contra será encarado como indisciplina partidária’’, disse Tercílio Turini, líder da bancada e um dos quatro pré-candidatos do PSDB à sucessão municipal.
Amanhã também é dia de as entidades ajuizarem ação civil pública contra o escândalo AMA-Comurb. As assinaturas dos representantes das 87 entidades serão colhidas em solenidade na noite de hoje. O documento pede à Câmara a abertura imediata da Comissão Processante, que tem poderes de cassar o mandato de prefeito.
‘‘Se o pedido for bem embasado, é possível que a abertura da comissão seja aprovada por um número bem maior que os 11 necessários. A proposta deve ter pelo menos três votos do PFL (partido do prefeito)’’, disse Turini.
Depois de protocolada, a Câmara deverá enviar a proposta à Comissão de Justiça, que, em caso de aprovação, a encaminha para plenário. Este trâmite deve ser finalizado no máximo em duas semanas.
O prefeito Antonio Belinati deve ficar fora da cidade nesse período. Oficialmente, Belinati está em São Paulo, submetendo-se a exames médicos. A Folha tentou falar com o prefeito e com a mulher, Emília Belinati, ontem, mas não havia informações sobre onde os dois estavam na residência da família em Curitiba.(L.D. e Lúcio Flávio Moura)

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