Processo de privatização da Sercomtel é alvo de sabatina na Câmara
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sexta-feira, 28 de agosto de 2020
Guilherme Marconi - Grupo Folha 
Dez dias após o leilão de privatização da Sercomtel, que foi arrematada pela Bordeaux Fundo de Investimento em Participações, a Câmara Municipal de Londrina convocou membros do Executivo para detalhar o processo de transição. A desestatização teve aval dos vereadores em meados do ano passado, no período em que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) ameaçou retirar a permissão da estatal londrinense devido ao colapso no caixa e falta de capacidade de investimento do município como sócio majoritário da empresa. Participaram da sabatina on-line nessa quinta-feira (27) o presidente da Sercomtel, Claudio Tedeschi, o secretário de Governo, Juarez Tridapalli, e o procurador-geral do Município, João Luiz Esteves.
Um dos termos da lei 12.871/2019, que permitiu a alteração no controle acionário da Sercomtel S/A, foi a permanência da empresa em Londrina, entretanto não há garantia de manutenção dos postos de trabalho. "A questão dos funcionários não altera nada neste momento. Quando o novo acionista assumir deverá respeitar as regras estabelecidas na lei e no edital", informou Tridapalli.
Questionado pelo vereador Fernando Madureira (PTB) sobre informações veiculadas na imprensa a respeito de processos judiciais que envolvem o fundo investidor, o secretário de Governo garantiu que as análises da idoneidade da vencedora do leilão passaram pelo crivo da B3, Bolsa de Valores de São Paulo, responsável pelo edital. "Quem irá avaliar ainda se o fundo está habilitado é a Anatel e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e não é a prefeitura. São esses órgãos de controle que darão total transparência e segurança" afirmou Tridapalli.
ÁGIO
O vereador Eduardo Tominaga (DEM) questionou o Executivo sobre o ágio de 900% conquistado no leilão a partir do preço simbólico de R$ 0,01 da ação - diferente do primeiro leilão, que deu deserto, em janeiro, no qual o valor era de R$ 1,51. "O que nós levamos em consideração foi o valor necessário pela Anatel para aporte de investimento de R$ 130 milhões. No primeiro leilão era para quem oferecer a maior capitalização. Nesse leilão deixamos não mais o valor patrimonial, mas o fluxo do patrimônio contábil." O grupo vai aplicar, inicialmente, apenas R$ 50 milhões, e o restante parcelado de acordo com a necessidade de caixa exigido pela agência reguladora. "Foi uma maneira mais atrativa para poder encontrar um interessado", afirmou o secretário.
Tridapalli disse ainda que ao término da transição da privatização haverá um saldo de R$ 4 milhões para o município e a sócia, Copel. "Ou seja, uma transferência de R$ 2,1 mi para Londrina e mais o perdão da dívida." Isso ocorrerá no final do processo quando o Fundo Bordeaux precisará comprar os restantes das ações.


