Curitiba - A Assembleia Legislativa deu início ontem ao processo que pode culminar com a cassação do mandato do deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB). O deputado estadual Luiz Accorsi (PSDB), corregedor da Casa, aceitou a abertura do processo de cassação. Todo o processo, que nasce na corregedoria, passa pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar e pode chegar até ao plenário, pode durar até 60 dias. A previsão foi feita ontem, após uma reunião realizada entre o presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Pedro Ivo (PT), e o corregedor Luiz Accorsi. ''Estabelecemos um roteiro'', disse Justus.
Após a manifestação inicial da corregedoria da Casa, o primeiro passo é notificar Carli Filho, que segue internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ele terá dez dias para responder à corregedoria. Esgotado o prazo, o corregedor ainda tem até 20 dias para colher informações e produzir um relatório, que daí será entregue à Mesa Executiva da Assembleia Legislativa. Em seguida, a Mesa Executiva encaminha o relatório para o Conselho de Ética e Decoro Parlamantar, que daí inicia diligências, com a possibilidade de convidar pessoas para prestar depoimentos (veja quadro).
Ainda não foi divulgada uma data limite para conclusão dos trabalhos do Conselho de Ética, mas a previsão do presidente do grupo é terminar dentro de 30 dias. Ou seja, na prática, o processo inteiro pode durar até 60 dias. Questionado se o estado de saúde de Carli Filho poderia interferir nos trabalhos, Justus explicou que qualquer tipo de licença não impede o trâmite de um processo de cassação.
Segundo a assessoria de imprensa de Carli Filho, o parlamentar ainda não teria condições de se manifestar. A família dele, contudo, estaria contratando um advogado para tratar do assunto. Justus também anunciou ontem que negou o pedido de revogação da licença médica de 60 dias concedida a Carli Filho. O pedido foi feito pelo advogado Elias Mattar Assad, que representa a família de Gilmar Rafael Souza Yared, um dos dois mortos no acidente de carro envolvendo Carli Filho. A mesma família é autora do pedido de cassação.
Assad alegava que, pelo Regimento Interno, a licença deveria ser aprovada em plenário, daí o pedido de revogação. Ontem, Justus disse que ''o Regimento Interno foi mal interpretado'' e que a licença está mantida. ''É uma prerrogativa do presidente da Casa (conceder a licença)'', completou ele.
Em relação ao resultado do processo de cassação, Justus enfatizou que ''haverá apuração completa dos fatos, dentro do prazos legais'', mas que não pretende fazer ''futurologia''. ''Não vou admitir qualquer protecionismo ou injustiça. Não gosto de polêmica e holofotes, mas a sociedade não ficará sem resposta'', garantiu. Questionado sobre a transparência na condução do processo, Justus afirmou que ''nada será feito às escondidas'' e novamente se manifestou solidário às três famílias envolvidas no acidente.
Plauto Miró
O deputado estadual Plauto Miró (DEM), que é tio de Carli Filho, se manifestou pela primeira vez sobre o assunto no plenário. Após o acidente, no último dia 7, ele tirou licença da Casa por quatro sessões plenárias. ''Deste episódio, dentre inúmeras lições, duas creio ser fundamentais relembrar em público. A vida, presente de Deus, precisa ser preservada sempre. Esta mesma vida que nos reserva surpresas absolutas, que jamais poderíamos prever. A pessoa pode, por uma só ação, ficar marcada para sempre. É neste instante que, como homem público responsável, devo reafirmar minha fé inabalável na Justiça e, também como cidadão, confiar que as investigações sejam ágeis, eficazes e prontas'', disse Plauto, no plenário.
À imprensa, Plauto falou sobre a dor das famílias, mas não quis entrar nas questões relativas ao acidente e nem responder sobre a possibilidade do seu sobrinho perder o mandato. ''Um dos momentos de alegria na minha vida foi quando ele (Carli Filho) chegou aqui na Assembleia Legislativa, amparado com o voto popular. E o último dia 7 foi de tristeza'', resumiu.

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