Representantes da sociedade civil ouvidos ontem pela Folha revelaram opiniões divergentes em relação à contratação direta da Sanepar para os serviços de água e esgoto em Londrina. A posição anunciada esta semana pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) é a de que a estatal será contratada diretamente, sem chance de o setor privado disputar concorrência.
Para o presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), Nelson Brandão, ''a concorrência é salutar para a cidade'', uma vez que o preço final ao consumidor, na avaliação do engenheiro, pode ser barateado. Brandão afirmou que já pediu à Câmara o preço do metro cúbico de água praticado hoje no município pela Sanepar. ''Desconfio que não há um desconto no preço da tarifa, já que o loteador é quem paga pela infra-estrtura usada, e não parece que isso está sendo descontado nos valores'', disse. Brandão lembra que, quando a estatal assumiu a tarefa no contrato firmado em 1973, já havia uma rede de tubulação estabelecida.
Já para o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Londrina (Sinduscon), Junker Grassiotto, ''é temerário'' que a iniciativa privada assuma o serviço, pois ''teria de começar do zero, sem conhecer bem a realidade de Londrina, e sem a experiência da Sanepar''. O engenheiro citou o caso do pedágio e da telefonia, em que houve aumento nas tarifas após os processos de privatização, mas, por outro lado, pediu que o contrato tem de ser claro quanto ao gerenciamento por parte do Executivo. ''O poder público tem que fiscalizar corretamente a boa execução e estabelecer as metas pretendidas, senão, a situação vira uma 'caixa-preta' prejudicial ao usuário'', defendeu.
Posição diversa da do representante do Sinduscon é a defendida pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), José Augusto Rapcham. O empresário faz questão de ressaltar que ''é de boa qualidade'' o serviço prestado pela Sanepar na cidade. Entretanto, ele admite estar preocupado ante a possibilidade de não haver concorrência pública para a concessão do saneamento. ''A estatal presta um bom atendimento, mas acredito que o monopólio e a imposição de não poder negociar são prerrogativas não aceitáveis em qualquer atividade'', disse.
Rapcham acha que uma única empresa no páreo, em eventual processo licitatório, pode ser prejudicial ao consumidor final. ''Do jeito que tudo está sendo defendido pelo prefeito, o Município acaba sendo beneficiário do valor que se cobra, e não solidário em pagar a conta: ela sobra para o cidadão. Além do que, em uma concorrência a gente tem como comparar e até melhorar as condições do que se vai exigir'', pondera Rapcham, para quem deveriam ser realizadas não audiências públicas, mas câmaras setoriais específicas para debater o assunto.

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