O processo que a Justiça espanhola move contra o ex-presidente e ex-ditador do Chile, general e atual senador vitalício Augusto Pinochet, pode ter desdobramentos também no Brasil, a exemplo de outros países, como Argentina, Suíça e Suécia. O País poderá, nos próximos meses, ser obrigado a detalhar, publicamente, sua participação em atividades de inteligência e perseguição a opositores políticos do regime militar, na década de 70. Pinochet está ‘‘detido’’ em Londres, a pedido da Espanha, e poderá ser deportado a qualquer momento.
O envolvimento do Serviço Nacional de Informação (SNI), com a Dina - o serviço de inteligência chileno que agiu com rigor excessivo e desnecessário durante a fase da ditadura de Pinochet - integra o processo que o juiz espanhol Baltasar Garzon move contra Pinochet.
Já nas investigações preliminares, a Justiça espanhola solicitou ao governo norte-americano documentos sobre o assunto, produzidos por sua embaixada no Brasil.
A participação do Brasil na ‘‘Operação Condor’’ - responsabilizada pelo assassinato de vários líderes oposicionistas chilenos durante o os chamados ‘‘anos de chumbo’’ - e a extensão da atuação do temível SNI no exterior na década de 70, quando o Serviço era comandado pelo futuro presidente general João Baptista Figueiredo - foram transformadas em uma série de reportagens que passam a ser publicadas hoje por um jornal de Campinas (SP).
A série do jornal recupera também um dossiê enviado pelo almirante Cândido Aragão ao Partido Ação Democrática (PAD), na Venezuela, em 1978, que acusa o general João Batista Figueiredo de ter ordenado a morte do ex-presidente brasileiro Juscelino Kubitschek.
O documento reproduz, ainda, o depoimento de um exilado brasileiro no Chile, garantindo que o Itamaraty possui documentos onde embaixadores detalham as mortes de vários brasileiros em território chileno, após o golpe de estado de Augusto Pinochet contra o presidente socialista Salvador Allende - que morreu durante o golpe.

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