A menos que o vereador Orlando Bonilha (PR) siga o exemplo de Henrique Barros (sem partido) e renuncie para escapar de uma possível cassação, a abertura de uma Comissão Processante (CP) contra ele estará garantida com pelo menos 10 votos na Câmara Municipal, conforme apuração feita pela FOLHA. Para frustração de muitos, o parlamentar não apareceu na sessão de ontem.
A votação da admissibilidade da denúncia apresentada pela Comissão de Ética Parlamentar (CEP) já está na pauta de amanhã. Portanto, caso Bonilha decida renunciar, terá que fazê-lo antes da sessão desta quinta-feira. Ontem, a reportagem questionou os 16 vereadores aptos a votar - as exceções são Bonilha e o presidente Sidney de Souza (PTB) - se são favoráveis ou contrários à abertura do processo de cassação. Nove deles disseram ''sim'' (veja quadro), cinco afirmaram que ainda não decidiram e dois não quiseram revelar antecipadamente seu voto alegando medo de sofrerem sanções ou ficarem impedidos de votar.
O placar aponta que a denúncia seria aceita, já que é necessária apenas a maioria simples dos vereadores aptos a votar, ou seja, nove deles. Um décimo voto foi admitido em ''off'' por um vereador. Uma vez acatada a denúncia, Bonilha terá que enfrentar o processo de cassação. Com base em depoimentos do ex-vereador Henrique Barros, ele é acusado de receber propina de empresários para aprovar projetos na Câmara.
Em uma das entrevistas coletivas mais disputadas dos últimos tempos - e que era reservada a Bonilha, se ele aparecesse - o advogado do acusado, Ronaldo Neves, reafirmou ontem ter recebido de seu cliente ''a orientação de irmos enfrentar, sim, a Comissão Processante''. A própria defesa, contudo, acredita que renunciar seria ''uma estratégia mais inteligente'' nesse momento.
''Se houver julgamento técnico, jurídico, estou certo de que ele não será condenado nunca, mas temos que pensar politicamente. No caso do Antônio Belinati (ex-prefeito cassado em 2000), ele contava com 75% de apoio para que não fosse cassado e esse apoio terminou em 15 dias'', comparou. ''Se renunciar, ele sai do foco da imprensa, vai cuidar de sua vida, da esfera criminal e pode até pensar numa reeleição futura'', analisou.
Neves também comentou as recentes declarações de Bonilha definindo-as como ''mal interpretadas''. Disse que em nenhum momento o vereador confessou ser uma ''batata podre''; teria apenas sugerido que, se ''existem batatas podres, têm que ser avaliadas num conjunto de Câmara, empresários e até Poder Executivo''. Para evitar que o ex-presidente da Câmara se comprometa ainda mais com suas falas, o advogado contou ter solicitado ao cliente que ''não fizesse mais nenhum tipo de manifestação, como condição para continuar a atendê-lo''.
Na semana passada, a defesa de Bonilha pediu à Câmara que o procedimento contra ele fosse arquivado em razão da carta escrita por Barros inocentando todos os vereadores. Ontem, o procurador jurídico da Câmara, Airvaldo Stella Alves, entregou parecer à Mesa Executiva declarando que ''não existe ilegalidade, nem abusividade nenhuma no processo'' e que ''o poder-dever da Câmara é de tomar todas as providências cabíveis quanto a um ato que atinge o decoro da Casa''.

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