BRASÍLIA - As críticas duras de tucanos ao acordo da reforma administrativa, que permite a parlamentares acumular o salário com uma aposentadoria, abriram uma guerra entre os aliados PSDB e PFL ontem na Câmara. O bate-boca começou logo cedo, com a reação irritada do líder pefelista Inocêncio Oliveira (PE) ao comentário do senador José Serra (PSDB-SP). Na véspera, Serra chamara de ‘‘indecente’’ o texto do acerto que cria um segundo teto salarial de até R$ 21,6 mil.
‘‘Se é indecente, eu devolvo o termo para ele e o desafio a rejeitar a proposta no Senado e mandá-la de volta à Câmara’’, disse Inocêncio a caminho do Palácio do Planalto no início da tarde. ‘‘A emenda é legal, moral e ética’’, defendeu o líder do governo na Câmara, Benito Gama (PFL-BA). ‘‘Mas eu só devolvo para o Serra a emenda produzida pelo acordo’’, completou sorrindo, na tentativa de diminuir a ira do líder pefelista.
Pouco antes de partir para o Planalto, Inocêncio reunira a bancada para dizer que só votaria o acordo se o PSDB recuasse. ‘‘Se o governo ganhar hoje sem o PSDB, o PFL vai derrubar a emenda no segundo turno de votação’’, disse Benito, ao confirmar a ameaça de Inocêncio. Na reunião pefelista, a indignação do líder teve a solidariedade até dos liderados que criticaram o acordo. ‘‘Eu fui contra o acerto, mas já que é um ônus para aprovar a reforma, o PFL não vai carregar isto sozinho’’, defendeu o pefelista José Carlos Aleluia (PFL-BA).
‘‘Pois que derrubem a reforma se quiserem, porque este acordo vergonhoso o PSDB não vota’’, reagiu o vice-líder do governo no Congresso, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). ‘‘Esse teto de R$ 21,6 mil é um escárnio que eu também não voto’’, disse o senador Beni Veras (PSDB-CE) no meio da tarde. Àquela altura, o governador do Ceará, Tasso Jereissati, estava desembarcando em Brasília. ‘‘O Tasso também não concorda com esse acordo descabido e certamente pedirá votos para manter o teto em R$ 10,8 mil’’, acrescentou o senador.
O líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG), ainda tentou pôr panos quentes nas desavenças, mas parou de pedir moderação quando se viu excluído da reunião dos líderes aliados com o ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, no Planalto. ‘‘Reunião de líderes onde o PSDB não está não vale’’, disse o tucano.

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