Apontada pela Prefeitura de Londrina como a grande solução para enfrentar a concorrência, a proposta de estadualização da Sercomtel já não parece mais ser alternativa viável nos discursos do Governo do Estado e até do próprio prefeito Nedson Micheleti (PT). Ontem, o petista afirmou que, na semana que vem, conversa com o governador Roberto Requião (PMDB) não apenas sobre os rumos da negociação, mas já sobre um futuro apoio na tentativa de emplacar, mais uma vez, a venda da telefônica.
As declarações do prefeito vieram na sequência de uma entrevista de Requião, esta semana, confirmando o que já se ouve nos bastidores da transação há pelo menos um mês: o interesse na venda é maior que o na compra. Desde a venda de 45% das ações, em 1998, a estatal é sócia do Município, dono de 55% do bolo acionário. A hipótese de estadualizar foi apresentada publicamente primeiro pelo governador, no segundo turno de 2006. Diretores da Copel em Londrina, no entanto, chegaram a afirmar posteriormente que a idéia fora sugerida por Nedson - que nega.
Em entrevista à rádio CBN Londrina, veiculada ontem, o peemedebista reafirma a intenção de o Estado deter um sistema público de telefonia - ''nós pagamos milhões de comunicação'', justificou -, mas já muda o tom do discurso em relação à Sercomtel. ''A Sercomtel pode ser uma hipótese, mas existe a hipótese também de utilizarmos as fibras ópticas da Copel sem a Sercomtel'', disse. Por outro lado, ele destacou que ainda não tem o relatório da companhia - respaldado por uma consultoria aparentemente sem data para conclusão dos trabalhos - sobre o estudo de viabilidade técnica, jurídica e comercial entregue, em abril passado, pela Prefeitura. Na ocasião, Nedson ofereceu venda de 10% das ações.
Pouco depois, o governador sinalizou que a negociação não está exatamente próxima a um acordo. ''Não podemos ter uma empresa deficitária no sistema Copel - e a Sercomtel está dando prejuízo'', concluiu.
Para o prefeito, as declarações sinalizam ''que ele (Requião) não tem mais interesse na Sercomtel''. Nedson negou que tenha conversado reservadamente com o peemedebista sexta passada, quando ele esteve em Londrina. ''Pedi apenas para ter um posicionamento, o que deve ocorrer semana que vem. De qualquer forma, acho que agora ele vai analisar mais do ponto de vista econômico do que político'', disse, negando que a proposta tenha tido, antes, conotação político-eleitoral.
''Pode ser que o Governo tenha alguma informação não oficial da Copel contra a compra; eu, pessoalmente, cogito a possibilidade de não ter mais esse interesse'', afirmou Nedson. Conforme o prefeito, caso isso seja confirmado, o teor da conversa será outro: ''Como a empresa tem dificuldades com a concorrência, solicitaria ao Requião o apoio dele para fazermos a venda, se a Câmara de Vereadores autorizar e mudar a lei (de 2001, que institui obrigatoriedade de plebiscito se houver mudança de panorama acionário)'', declarou.

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