Privatização é questionada na Justiça
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segunda-feira, 06 de abril de 1998
Carmem Murara e Leandro Donatti 
Arquivo FolhaDescompensaçãoGiovani Gionédis: secretário diz que ações valem pouco porque o passivo é muito maior que o ativoA privatização do Banestado, acertada pelo governo do Paraná junto ao Banco Central, vai parar na Justiça. Representantes dos acionistas minoritários, Nilo Biazeto; da Associação dos Funcionários, Milton Trein; e da Associação dos Aposentados do Banco, José Jacinto Ricci, ajuizaram ação premunitória para resguardar o patrimônio do Banestado e assegurar seus direitos, caso o Banco venha a ser vendido.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, disse ontem que está disposto a discutir a questão com qualquer acionista. Eles ainda não entenderam que o que estamos fazendo é resguardá-los?, questionou. Segundo ele, a injeção dos R$ 2,6 bilhões prometidos pelo governo federal, no Tesouro estadual, recupera a cotação das ações. Que hoje não valem nada porque o passivo é muito maior que o ativo, emenda. Ele lembra que 47% do total pertence ao governo e o restante aos demais acionistas.
O procedimento judicial vem sendo mantido sob sigilo e causou mal-estar junto à diretoria do Banestado, que, na semana passada, chamou os autores da ação para uma conversa reservada, em Curitiba. A reação da oposição foi exatamente contrária. Lideranças políticas e sindicais estão dando respaldo para a ação que pode frear a privatização e forçar a retomada de discussões em torno do saneamento, nos mesmos moldes da lei aprovada no final do ano passado pela Assembléia Legislativa.
O comitê em defesa do Banestado faz hoje em Curitiba seminário para definir estratégias de resistência ao acordo. O debate, que começa às 9 horas, vai ser no Hotel Hara. O presidente da Associação dos Funcionários do Banespa, Eduardo Rondino; o representante do Fórum Estadual Contra a Privatização de SC, João Batista; o diretor administrativo da carteira previdenciária do Banestado (Banesprev), José Roberto Siqueira; e o deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT) coordenarão os debates.
O senador Roberto Requião (PMDB) voltou a garantir ontem que o acordo envolvendo o Banestado e o governo pode ser alterado e que sequer foi firmado oficialmente . Ele diz ter a garantia do responsável pela rolagem das dívidas nos estados, Paulo Zaghen. Gionédis refuta as declarações do senador e diz que o acordo do Banco é uma das cláusulas da rolagem da dívida mobiliária já firmada junto ao Ministério da Fazenda, em Brasília. Esta história já está ficando ilógica, classificou o secretário.
Vanhoni sinaliza ainda que o comitê em defesa do Banestado quer um documento oficial do Banco Central declarando que não houve nenhuma imposição para a privatização. O governo nunca quis sanear, sempre esteve disposto a vender o Banestado, diz o deputado.


