Privatização das tele pode ser adiada, acredita investidor
Um eventual adiamento do leilão das 12 holdings do Sistema Telebrás é uma possibilidade aceita pela maioria dos investidores interessados na privatização. Ainda que seja negada com veemência pelo ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, a hipótese de que o leilão só ocorra em agosto, e não mais em 29 de julho, não é descartada, nem assusta, os interessados na compra da Telebrás.
Esta é uma variável levada em consideração, que não representaria um problema, disse à Agência Estado um advogado ligado a uma das operadoras que, desde o início, estão interessadas na privatização. Parte dos interessados acredita que o adiamento é praticamente um fato consumado, que será anunciado nas próximas semanas. Trabalhamos com a idéia de que a data vai ser alterada, disse o mesmo advogado. Existem pelo menos três fatores que poderiam levar à mudança de datas, de acordo com os analistas.
O primeiro é a entrada de novos competidores (players) na concorrência, o que demandaria mais tempo para análise dos documentos e preparação de propostas. As conversas do ministro Mendonça de Barros no exterior com potenciais investidores poderá aumentar o número de participantes.
Paralelamente, o processo de formação dos consórcios e grupos também representaria um forte motivo para o adiamento. As parcerias entre operadoras, instituições financeiras e outros interessados ainda estão sendo discutidas. Em contrapartida, o edital de privatização passou a permitir a presença de grupos no leilão. Isto, segundo analistas, dá mais liberdade para as empresas se unirem até a data da venda, sem necessariamente constituirem previamente um consórcio.
Os advogados que já acompanham o processo de privatização no País também não duvidam que, às vésperas do leilão, possam ocorrer decisões judiciais impedindo a realização da venda. Eles lembram como exemplo a venda da Companhia Vale do Rio Doce, no ano passado, e a Assembléia Geral da Extraordinária (AGE) da Telebrás, no dia 22 de maio, que também foram prejudicadas por ações judiciais.
A expectativa dos advogados é que a jurisprudência formada sobre privatização nos últimos anos faça com que as decisões judiciais sejam rápidas. Um exemplo é a concentração na justiça federal de Manaus, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de todas as ações de primeira instância do País contra o leilão.
O atraso previsto na privatização pode chegar a duas semanas, segundo os analistas. Para os grandes investidores, que estão determinados a concorrer para ganhar na privatização, 10 dias a mais não fará nenhuma diferença, afirmou um dos advogados ligados às empresas de consultoria que avaliaram a modelagem de venda do Sistema Telebrás. Na pior das hipóteses, porém, alguns advogados prevêem que o leilão poderia ocorrer até o final de agosto.
Admite-se também a realização da venda em duas etapas. A primeira para as principais empresas do sistema, que tenham interessados garantidos. Para as demais holdings, principalmente do grupo celular das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a venda poderia ocorrer 90 dias depois do primeiro leilão.
A idéia de atraso não é admitida publicamente pelo governo. Em sua viagem aos Estados Unidos, o ministro das Comunicações negou que exista a possibilidade. O movimento para adiamento da data do leilão, porém, já era esperado. Não estamos vendendo quiabo na feira, disse Mendonça de Barros, em Brasília, semana passada.
Em todos os processos de licitação há grupos de investidores que defendem atraso nas datas, disse o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Juarez Quadros. Segundo Quadros, mudanças só ocorreriam em situações bem excepcionais. Não mudaremos as datas, exceto se ocorrerem fatos relevantes no futuro, disse Quadros.





