A derrota oposicionista na votação do projeto popular que impedia o Estado de vender a Copel, na última segunda-feira, desencadeou uma série de processos de expulsão de deputados que votaram contra as orientações partidárias.
O PSB encabeça a lista dos partidos que tomaram providências. A executiva estadual decidiu, anteontem, expulsar de seus quadros os três deputados que representam a legenda na Assembléia Legislativa, alegando que eles desobedeceram diretriz partidária. A orientação nacional do PSB é anti-privatização. O PSDB, também contrário à venda da estatal, quer expulsar o deputado Luiz Fernandes Litro o único da bancada tucana a votar a favor da privatização. Na semana passada, Litro foi internado em Curitiba, com problemas cardíacos. Ontem, ele foi transferido para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde deve ficar até o próximo sábado.
De acordo com Severino Nunes de Araújo, presidente estadual do PSB, Ricardo Maia, Hidekazu Takayama e Moysés Leônidas terão oito dias para apresentar defesa, a partir da notificação. Os parlamentares ainda não foram notificados. A direção do partido aguarda cópia das notas taquigráficas da sessão da última segunda-feira, quando foi derrubado o projeto popular. O partido precisa anexar à proposta de expulsão as notas da sessão, que comprovam o voto dos deputados.
Araújo disse que a permanência dos deputados ficou ''insustentável'' no partido depois que eles apoiaram a privatização. ''Vamos dar prosseguimento ao processo, que só pode ser revertido se eles recorrerem à executiva nacional e o entendimento deles for diferente'', afirmou.
Moysés Leônidas partiu para o contra-ataque. Reclamou que foi avisado oficialmente da orientação do partido na véspera da votação, e disse que vai entregar ao Conselho de Ética do partido, em Brasília, denúncias de que estaria sendo ''estorquido'' por Araújo. Segundo o deputado, o presidente da legenda teria pedido emprego na Assembléia para familiares dele ao deputado. ''Eles me usaram e agora estão me descartando'', emendou.
A assessoria do deputado Takayama informou que, na prática, ele está sem partido. Takayama deixou recentemente o PST para assinar ficha no PSB, mas a mudança ainda não foi oficializada. Ao ser questionado sobre posição em relação à venda da Copel, Takayama já havia declarado que defenderia seu posicionamento junto à cúpula do PSB, explicando que a oposição estava usando o tema como bandeira eleitoral. O deputado Ricardo Maia não às ligações da Folha.
O deputado Miltinho Puppio se antecipou à ameaça da cúpula do PSC, anunciando seu pedido de desfiliação antes mesmo da votação. Puppio votou a favor da venda, mas o partido no Estado é contra. (Colaborou Rosane Henn)

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