O ex-coordenador da Receita Estadual do Paraná José Aparecido Valêncio da Silva e o atual inspetor-geral de Fiscalização, Lídio Francos Samways Júnior, foram dois dos oito auditores da Receita Estadual de Curitiba presos ontem. Eles seriam transferidos ainda ontem para Londrina. Dois ainda não haviam sido localizados.
Valêncio ocupou o mais alto cargo da Receita até 20 de maio, quando pediu exoneração, após ter sido citado por Luiz Antonio de Souza como integrante do esquema criminoso. Antes de Lima assumir a inspetoria-geral de fiscalização, era Valêncio o titular deste cargo. Já Samways Júnior, o segundo na hierarquia da Receita, ainda é o chefe de fiscalização. Outro auditor lotado em Curitiba e preso ontem é Jaime Nakano, que já trabalhou na Delegacia de Londrina.
O coordenador do Gaeco, promotor Jorge Barreto da Costa, disse que a participação da cúpula da Receita no esquema se deu principalmente pelo recebimento de parte do que era arrecadado como propina pelos auditores. "Alguns auditores de Curitiba, em algum momento de suas carreira, trabalharam no achaque; mas, no caso aqui, eles recebiam parte da propina das respectivas delegacias", afirmou.
Conforme o auditor delator, 10% do que era arrecadado ia para Curitiba. O advogado de Souza, Eduardo Ferreira, disse que o dinheiro era transportado para a capital "por carro, avião, caixa, mala, inclusive preso ao corpo". Do restante, metade ficava com o auditor que fazia o "serviço sujo" e outra metade ia para a chefia em Londrina.
Até agora, segundo o promotor, não é possível estimar quanto o Estado deixou de arrecadar em impostos, porém, um dado é bastante significativo: a organização arrecadava, nos últimos tempos, cerca de R$ 1 milhão em propina. "Ainda não temos os cálculos, que dependem de quebras de sigilo em andamento e do trabalho da auditoria", disse Costa. (L.C.)

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