Nos quase 21 anos do regime de exceção, cinco generais tomaram posse da Presidência da República. A população somente voltou a escolher um presidente pelo voto direto em 1989, com a eleição de Fernando Collor de Mello.
Como consequência das ações dos militares, a Constituição Federal de 1946 foi suspensa, o Congresso Nacional fechado, e se estabeleceu a censura nos meios de comunicação. As ações foram impostas à base da repressão.
''Em 1964 ou 65, o primeiro presidente da Revolução, Castelo Branco, veio à Londrina para a inauguração do Parque de Exposições Ney Braga. Os jornalistas não podiam chegar nem perto. O presidente caminhou um pouco e a multidão não estava nem aí. Um radialista da Rádio Clube comentou e foi preso no mesmo dia. Isso aconteceu com outros também'', relatou o jornalista Jota Oliveira. ''Quando entrei na Folha de Londrina, em 66, senti mais diretamente a presença do regime militar por causa da censura que existia no jornal. Eles telefonavam para a gente e diziam que eram da Polícia Federal e que não podíamos divulgar isso ou aquilo, e não estávamos nem sabendo do assunto'', lembrou.
O vendedor de passagens da Viação Garcia, João Alberto Einecke, sofreu na pele as consequências de sua convicção política. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), desde os 17 anos, Einecke viu o partido cair na clandestinidade com advento do regime militar.
Einecke foi preso no dia 12 de setembro de 1975, na operação Marumbi, sob acusação de oposição ao regime. Levado para o 30º Batalhão de Infantaria Motorizado, em Apucarana, foi submetido à tortura por cinco meses. ''Eles queriam nomes. Queriam dar uma grandiosidade que o partido não tinha, que a oposição não tinha, queriam envolver todos.''
Trinta dias após sua prisão, a esposa de Einecke, Terezinha, também foi presa. ''Muita gente era presa sem saber o motivo. Prenderam ela aqui em Londrina, no quartel da PM. Ela estava grávida e abortou. Ela desconhecia a minha ligação com o PCB e ficou presa de quinze a dezoito horas.''
Em 1976, Einecke foi levado para a Prisão Provisória do Ahú, em Curitiba. ''Eu estava muito machucado. Quando eu cheguei lá já estavam outros presos e fui recebido como se fosse um herói. Herói, coitado de mim. Agora o problema é a dor moral. A dor física cicatriza, mas o problema é aqui dentro (cabeça)'', disse.
''Quando saí do Ahú, em 1978, fui comprar a passagem na rodoviária, e me disseram que o ônibus para Londrina saía somente às 23h. Então atravessei a rua e fui tomar uma cerveja, comemorando a minha soltura, e falei para um rapaz que tinha acabado de sair da prisão. Quando disse que era preso político, ele disse que eu estava mentindo, que no Brasil não existiam presos políticos. A prisão estava cheia, o povo não sabia, e então resolvi ficar quieto e não falar mais nada para ninguém, senão ia acabar voltando para lá.''(C.O)

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