O diretório estadual do PPS decidiu afastar das funções do partido o prefeito de Loanda (Noroeste), Flávio Accorsi, após ele ter sido preso no sábado por usar um trator e uma roçadeira da prefeitura em sua fazenda. O caso também gerou representação contra ele na Câmara, assinada por seu ex-correligionário João Nicolau dos Santos, o Sargento Santos (SDD).
Em nota oficial, o diretório estadual diz que "lamenta e reprova os graves fatos que envolvem o chefe do Poder Executivo daquela cidade" e encaminhou o caso para o Conselho de Ética da sigla. Accorsi, que até ontem era o presidente do PPS em Loanda, pode ser punido com a expulsão da legenda, suspensão temporária ou advertência verbal ou por escrito.
Na Câmara, Sargento Ramos apresentou representação contra Accorsi e o plenário decidiria, com base na denúncia, se abriria uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), uma Comissão Processante (CP) ou arquivaria o pedido. Até o fechamento desta edição, o pedido não havia sido votado, mas Ramos se dizia otimista pela aprovação.
Accorsi foi preso após o delegado titular de Loanda, Luciano Purcino, receber denúncia de que o prefeito estava usando servidores de carreira e máquinas da administração municipal para serviços em sua propriedade privada, a Fazenda Sumatra, localizada na saída da cidade rumo a Nova Londrina.
Em diligência na companhia de dois advogados, Purcino constatou que sete servidores faziam trabalhos na propriedade com o trator e roçadeiras de mão da prefeitura. No momento do flagrante, Accorsi alegou que os funcionários não estavam em horário de trabalho e que recolheria aos cofres públicos o valor referente ao aluguel das máquinas. Em imagens feitas por um dos advogados com um celular, Accorsi faz ameaças ao delegado e avança com uma enxada.

Contrato de arrendamento
Na delegacia, o prefeito teria afirmado em depoimento que a propriedade é arrendada e que os serviços teriam sido bancados pelo arrendatário. Entretanto, segundo Purcino, o arrendatário teria afirmado que pediu ao prefeito que arranjasse alguns funcionários da administração municipal e máquias para roçagem da fazenda, onde há criação de gado, mas que tudo seria pago diretamente a Accorsi.
Além disso, o contrato de arrendamento prevê que um alqueire permaneceria à disposição do proprietário e os serviços eram realizados justo naquele ponto. "Deviam achar que eu não ia ler o contrato", disse Purcino.
No sábado, Accorsi acabou detido com base no decreto-lei 201/67, que versa sobre crimes de responsabilidades dos prefeitos – o segundo inciso do artigo 1º proíbe o uso de bens públicos para fins particulares. O Tribunal de Justiça arbitrou fiança de cem salários mínimos (R$ 72,4 mil). No domingo, Accorsi deu uma propriedade como garantia e obteve a liberdade.
A FOLHA procurou o prefeito ontem à tarde na sede do Executivo, mas o secretário de Esportes, Donizete Ferri, disse que ele passou mal e foi para casa. Ele também não retornou recado deixado na caixa postal do celular.

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