Curitiba – Com a prisão do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada, na manhã de ontem no Rio de Janeiro, durante a 15ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Operação Mônaco, o Ministério Público Federal (MPF) afirmou que está finalmente se fechando o ciclo corrupto de desvios de recursos públicos que envolvem a cúpula da estatal. De acordo com os investigadores, os quatro diretores detidos até agora (Paulo Roberto Costa, da área de Abastecimento; Renato de Souza Duque, da área de Serviços; Nestor Cerveró; da área Internacional; e o próprio Zelada) constituíam o núcleo principal das "falcatruas" praticadas na empresa.
Integrante da força-tarefa do MPF, Carlos Fernando dos Santos Lima chegou a nomear o grupo de diretores como a "camarilha dos quatro". O termo camarilha significa pessoas que convivem com uma autoridade ou personalidade importante e procuram influir direta ou indiretamente sobre suas decisões, mas na situação foi utilizada para nominar uma quadrilha, um bando de criminosos. Entretanto, isso não quer dizer que todos os crimes que ocorreram dentro da Petrobras já foram apurados. "Ainda há muito o que investigar dentro da Petrobras, mas creio que a nível de diretoria devemos ter chegado a um bom termo. Vamos verificar outras áreas de operação, em especial gerentes", indicou.
Antes de ter atuado como diretor da área Internacional da estatal, sucedendo Cerveró entre os anos de 2008 a 2012, Jorge Luiz Zelada foi gerente da área de Serviços e subordinado de Renato Duque. As investigações apontam que ele teria recebido propina decorrente de contratos envolvendo obras de refinarias e gasodutos desde 2003 quando já atuava na gerência.
Posteriormente, já na área Internacional, teria recebido propina de contratos de aluguel de navios-sonda. Conforme o MPF, o saldo milionário de cerca de 10,3 milhões de euros (mais de R$ 35 milhões) em contas no exterior, auditorias internas na estatal e depoimentos de outros suspeitos que firmaram acordo de delação premiada são provas do envolvimento do ex-diretor no esquema criminoso.
De acordo com os investigadores, mesmo depois da deflagração da Lava Jato, em março do ano passado, foram identificadas transferências feitas da conta de Zelada na Suíça para contas de Mônaco e da China. Estas operações ocorreram no mês de junho. "Já tínhamos os valores no exterior, os depoimentos corroborando com as provas, a auditoria da Petrobras indicando irregularidades nos contratos de navios-sondas. A identificação das remessas bancárias indicaram a continuidade do crime de lavagem de dinheiro, além de tentativa de proteção desses valores para impedir que a Justiça alcance", ressaltou o procurador.
O ex-diretor chegou ontem, por volta das 13h no Aeroporto Afonso Pena e seguiu para o Instituto Médico Legal (IML) para fazer o exame de corpo de delito. Depois foi encaminhado para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba. A PF também cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, três no Rio de Janeiro e um em Niterói (RJ), todos endereços ligados a Zelada. Segundo o coordenador da Lava Jato na PF, delegado Igor Romário de Paula, também foram apreendidos aproximadamente R$ 250 mil na residência do ex-diretor. (R.J.J.)

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