Curitiba - A prisão do tenente-coronel Valdir Copeti Neves, oficial da Polícia Militar (PM), no último dia 5 de abril acusado de tráfico de drogas e de formação de milícias armadas no campo, pode colocar em xeque todo o trabalho desenvolvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, que atuou entre os anos de 1999 e 2000 em vários estados brasileiros (incluindo o Paraná). Na ocasião, nomes de delegados e investigadores da Polícia Civil apareceram como sendo os principais articuladores do crime organizado no Estado.
  As denúncias derrubaram o então delegado-geral da Polícia Civil, João Ricardo Képes de Noronha, que só não foi preso porque ficou foragido até que conseguisse judicialmente a revogação da prisão temporária determinada pela Justiça Estadual. Outros delegados apareceram como sendo chefes de quadrilhas organizadas. Todos foram afastados de suas funções. Vários investigadores de polícia foram presos, muitos deles foram denunciados pelo Ministério Público (MP) e chegaram a ser condenados. Outros, como Altair Ferreira (conhecido como ‘‘Taíco’’), nunca foi julgado e condenado pelos supostos crimes que cometia e continua trabalhando normalmente nas delegacias de polícia da Região Metropolitana de Curitiba. Na época, Taíco era candidato à prefeitura de Pontal do Paraná, no litoral paranaense, e negava participação em qualquer atividade criminosa.
  Nos relatórios que incriminavam parte das pessoas investigadas na ocasião, constam as assinaturas dos integrantes do Grupo Águia (extinto por determinação do governador Roberto Requião). Inimigos do ex-chefe do Águia e ex-comandante do Policiamento do Interior, major Valdir Copeti Neves (hoje tenente-coronel e um dos primeiros na fila para promoção a coronel), acabaram sendo derrubados com investigações sigilosas que eram feitas dentro da sede da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) – órgão pertencente ao Ministério Público (MP) estadual – e na CPI Nacional do Narcotráfico.
  O próprio procurador Dartagnan Cadilhe Abilhôa, coordenador da PIC na ocasião e reconduzido ao cargo pela atual gestão, confessa a participação eficaz de Neves em todas as investigações. ‘‘Ele (Neves) era uma testemunha chave nas investigações. Acabou sendo arrolado inclusive pela CPI Nacional. Ele conseguiu nos ajudar a derrubar toda a cúpula da polícia que estava envolvida em crimes diversos. Foi a melhor investigação já realizada no Paraná e que culminou com uma série de prisões’’, relatou o procurador, em entrevista exclusiva à Folha. Neves era conhecido inimigo de Noronha e do empresário Joarez França Costa, o ‘‘Caboclinho’’, tido como um dos grandes mandantes de desmanches de carros furtados do Brasil. Caboclinho foi efetivamente um dos únicos investigados que acabou sendo preso e condenado acusado de uma série de crimes.
  Também o Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco) tinha como integrantes policiais militares que trabalharam com Neves. Na ocasião, policiais civis não eram aceitos dentro do Gerco. Dois delegados que tentaram fazer parte das investigações (Gilson Garret e Sebastião Gaspar) pediram para sair por não concordar com as investigações que estavam sendo realizadas e com a condução dos trabalhos pela coordenação da PIC. ‘‘Ele (Neves) era homem forte e tinha bom relacionamento dentro de todo o serviço de inteligência da Polícia Militar. Sabia muito e ainda hoje sabe. Tem muita coisa que poderia falar, se quisesse’’, contou um policial militar que trabalhou no Gerco, mas que faz questão de não ser identificado.

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