Prisão de ex-assessor de Barbosa origina investigação do Gaeco
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terça-feira, 26 de agosto de 2008
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investiga se ocorreu em Londrina, na noite de anteontem, os crimes de extorsão ou de denunciação caluniosa envolvendo o ex-assessor do deputado federal Barbosa Neto (PDT), Luciano Ribeiro Lopes. Preso em flagrante pouco depois das 21 horas de segunda, com posse de R$ 23 mil, Lopes depôs ontem à tarde no Gaeco ao longo de cinco horas e negou a versão apresentada na véspera pelo parlamentar, candidato à Prefeitura no pleito de outubro, de que teria exigido a quantia do ex-patrão. Em vez de extorsão, Lopes se declarou vítima de suposta armação por parte do pedetista e do deputado Alex Canziani (PTB), em cuja casa - em um condomínio fechado na Zona Sul - ele recebera a soma. No depoimento ao delegado Alan Flore, e ao coordenador do Gaeco, promotor Cláudio Esteves, Lopes apresentou a versão de que lhe teria sido oferecido suborno para não levar a público denúncias contra o candidato.
Há cerca de dois meses, Lopes apresentou à Procuradoria Geral da República (PGR) pedido de investigação contra Barbosa - alegara que o parlamentar teria ficado com parte do salário de assessores de seu gabinete, ou mantido funcionários fantasmas.
A prisão do ex-assessor se deu quando ele deixava a residência de Canziani, sozinho, no próprio veículo, de posse de R$ 23 mil em dinheiro. Barbosa já havia comunicado a Polícia Federal (PF) - que, por sua vez, contactou o Gaeco - de que há pelo menos dez dias estaria sendo ameaçado por Lopes, caso não efetuasse o pagamento (leia texto nesta página). As notas entregues ao ex-assessor foram fotocopiadas pela PF. Segundo o delegado da PF, Gérson Machado, à exceção da entrega do dinheiro, os demais passos teriam sido filmados por Barbosa.
Após o depoimento, Lopes fez questão de atender a imprensa em uma coletiva, a exemplo do que o ex-patrão fizera de manhã, no comitê de campanha. À noite, seria encaminhado ao Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) - alegou ter sofrido ameaças para não voltar à carceragem do 2º Distrito Policial (DP) -; a advogada dele, Clesia Brandão, afirmou que entraria nos próximos dias com pedido de liberdade provisória do cliente.
Lopes negou que tenha tentado extorquir Barbosa - pelo contrário: se disse vítima de suposta armação na qual teria sido ''usado como bode expiatório''. ''Ao meu ver, tentaram criar um fato que sensibilizasse a cidade de Londrina no sentido de que isso se convertesse em votos ao candidato Barbosa.'' O ex-assessor garantiu ter sido procurado com a proposta de pagamento para que não levasse a programas eleitorais de adversários situações adversas ao petebista.
''Nunca houve extorsão, apenas fui pegar o dinheiro que o Barbosa e o Alex ofereceram para que eu me calasse. Os contatos foram inicialmente com o Alex, mas tudo com aval do Barbosa'', relatou. Questionado sobre como chegou à casa do petebista, concluiu: ''A convite do próprio, tanto que o Alex, na segunda, havia me telefonado perto das 14 horas pedindo que eu o pegasse em uma agência do Banco do Brasil na (avenida) Higienópolis, depois o deixei na (rádio) Brasil Sul. Então o Alex disse que me ligaria para me repassar o dinheiro, que já estaria com R$ 50 mil e só dependia de um OK do Barbosa; por volta de 17h30, 18h, me ligou e perguntou se eu podia estar dali 20 minutos na casa dele. A quebra do meu sigilo telefônico irá provar isso; e amanhã (hoje) creio que a verdade virá à tona''.


