Prisão da elite causou críticas, diz ministro
Curitiba - Em Brasília, superintendentes regionais da Polícia Federal discutiram as novas portarias do Ministério da Justiça. Na ocasião, o ministro Márcio Thomaz Bastos comentou que a edição das duas portarias era necessária porque ''as operações de larga envergadura da Polícia Federal contrariaram muitos interesses de uma classe média alta que se julgava acima de ser atingida pela ação policial''. Ele lembrou que no começo das operações todos eram unânimes nos elogios e que as críticas começaram depois que as operações colocaram na cadeia parte da elite brasileira.
Thomaz Bastos ressaltou que era preciso ''abafar a retórica'' da OAB e garantiu que as portarias não vão impedir os policias federais de fazer um bom trabalho. ''As portarias pretendem fazer alguns ajustes em relação ao uso de algemas e a ação em si, mantendo o substancial, que é a luta contra o crime organizado'', salientou. Apesar de ter sido avisada na quarta-feira sobre a matéria especial que seria editada pela Folha no fim de semana, a assessoria de imprensa da Polícia Federal (PF) informou que não tinha tempo hábil para programar uma entrevista com qualquer delegado ou com o superintendente. Havia a preferência pelo silêncio sobre o tema.
O vice-presidente do Conselho Federal da OAB, Aristóteles Atheniense, considerou importante e oportuna a portaria baixada pelo Ministério da Justiça. ''Agora não haverá motivo razoável ou aceitável juridicamente para que aqueles fatos (de quebra de sigilo advocatício e abusos) continuem ocorrendo, colocando em risco a segurança não só da advocacia, como daqueles que a ela recorrem'', pontuou.
Mas nem todos dentro da OAB ficaram satisfeitos com as portarias. Existem aqueles que ainda queriam mais. É o caso do advogado criminalista Elias Mattar Assad, presidente eleito da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas. Mattar Assad acredita que as portarias não irão eliminar os chamados ''abusos policiais'' nas operações. O advogado criminalista diz que os juízes federais precisariam ser mais criteriosos na avaliação dos mandados de busca e apreensão, que são segundo ele genéricos.
''Os mandados de busca e apreensão são todos genéricos e permitem os abusos. A Polícia Federal acaba levando tudo o que vê para não pecar por omissão. Os juízes é que precisam se conscientizar e ser mais criteriosos. Para mim, o problema está no despacho judicial'', justificou ele. (L.P.)





