Prioridade é agilização das reformas
AE - Falta coordenação política ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso?
Íris Rezende - O Ministério da Justiça tem sido institucionalmente o encarregado de várias áreas técnicas e de uma política abrangente de relacionamento entre o governo e a sociedade. Nossa missão é a de aproximar o governo dos segmentos organizados da sociedade e do Poder Judiciário. Também atuarei em parceria com os demais assessores políticos do governo no Congresso.
AE - O senhor sentia falta de coordenação quando estava no Senado?
Íris - Em determinados momentos, sim, porque o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso tem provocado muitas mudanças, muitas transformações, e isso mexe com a área política. Na hora em que esses projetos chegam ao Legislativo, é preciso a atuação do maior número possível de pessoas para retirar as dúvidas sobre o seu alcance.
AE - A designação do deputado Luiz Eduardo Magalhães (PFL-BA) como coordenador se inclui na forma de encaminhamento de propostas que o senhor defende?
Íris - Sim, além dos líderes do governo na Câmara e no Senado. É preciso que todas as forças ligadas ao presidente - e nessa hora eu vou procurar atuar também - ajude o governo a esclarecer, a mobilizar, a sensibilizar parlamentares. Exemplo de um caso em que o apoio é inevitável é na votação da Reforma Administrativa, que toca em muitos interesses de grupos e de pessoas.
AE - O fato de o senhor, um ex-governador, ter sido escolhido ministro da Justiça evidencia a necessidade de aprovar logo a reforma administrativa?
Íris - Sim. Quem exerce função executiva, seja municipal ou estadual, tem um conhecimento mais profundo da realidade administrativa. Houve um exagero na concessão de privilégios aos servidores públicos que levou o poder público a uma situação de falência, de inviabilidade. A reforma vai bulir com esses interesses, e isso não é fácil. Há pressões de toda ordem. Daí a necessidade da atuação de todos.
AE - O senhor terá a ajuda do PMDB nesse trabalho?
Íris - Vou trabalhar no meu partido para que ele se posicione. É claro que numa bancada numerosa como a do PMDB não é fácil conseguir unanimidade, mas vou lutar para que o maior número possível de companheiros compreenda o interesse nacional e ajude a promover essas reformas.
AE - Vai haver outras mudanças na equipe ministerial dentro dessa proposta de ampliar a coordenação política do governo?
Íris - Isso depende do presidente. Não tenho informações sobre isso. Mas é preciso lembrar que o governo não pode ser estático, deve estar em movimento permanente. Isso é da própria sociedade, cuja ação se reflete nas decisões do governo. Portanto, é natural que o governo esteja a promover mudanças de ações e comportamentos. Mas não posso dizer que uma reforma esteja na ordem do dia do presidente Fernando Henrique.
AE - A denúncia contra o PT diminui a obstrução da oposição contra algumas das reformas que estão em andamento?
Íris - Não quero encarar o fato diante de acontecimentos de um lado e do outro. A responsabilidade de um parlamentar é muito grande, e ele não deve votar movido por emoções positivas ou negativas. É claro que a missão da oposição fica atordoada quando recebe críticas ou denúncias, a exemplo do que ocorre com pessoas e demais partidos.
AE - Os fatos inviabilizam o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, como candidato presidencial?
Íris - Não conheço a profundidade da repercussão dessa denúncia no meio social, na opinião pública. Mas é claro que elas não contribuem para melhorar a situação política de nenhum candidato, claro que não. Agora, não posso avaliar o estrago que possa estar provocando.
AE - O que o senhor quis dizer ao afirmar que o crime é inevitável?
Íris - Não houve referência ao episódio da Polícia Militar de São Paulo quando me fizeram a pergunta. Entendi que queriam saber até que ponto eu me comprometia a extinguir a criminalidade no País. Eu não poderia dizer que vou acabar com a criminalidade no País, porque seria uma promessa inútil, uma papagaiada. Quis dizer, portanto, que não há como explicar certos crimes da sociedade que independem da ação pública. Posso ser tudo, menos imbecil, eu não chegaria onde cheguei se fosse ao menos estonteado.





