Prioridade discutível
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de abril de 2005
LUIZ GERALDO MAZZA 
Mal chegou em Curitiba e talvez entusiasmado com o que viu em sua viagem, o governador determinou a reestruturação do Escritório Paraná-China e indicou como prioridade o ensino nas universidades estaduais do mandarim. Ora, isso é atividade que o setor privado desenvolve com muito mais eficiência como se dá em São Paulo, é claro que com colaboração oficial. Para universidades cheias de problemas como as nossas fica estranha, ainda que bem intencionada, essa sugestão. O Hospital Universitário de Londrina não foi reconhecido e portanto não obteve certificação do Ministério da Educação como hospital-escola e ante isso aí o ensino do mandarim está longe de ser uma prioridade.
A passeata
Todos os detalhes estão sendo tratados para a passeata monstro da Polícia Civil em direção ao Palácio Iguaçu dia 26. Quando o governador escolheu o líder sindical Luís Bordenowski, presidente do Sinclapol, para a Ouvidoria não parece ter seduzido a categoria inconformada com o congelamento salarial.
Pedágio
Pelo jeito quem vai pagar ''pedágio'' em sua carreira política por causa de uma promessa eleitoral é Requião. Ontem houve determinação judicial (despacho do desembargador Clotário Portugal Neto) para que o PMDB retirasse do ar a peça em que se afirma que houve cumprimento de promessa relativamente ao pedágio. Propaganda enganosa, evidente demais.
Foz
Foz do Iguaçu precisa de políticas socialmente compensatórias para resolver a retração provocada pelo combate aos sacoleiros e contrabando em geral e que abriam espaços para ocupação alternativa. Como aí o mediato se sobrepõe ao imediato (a urgência decorrente do desemprego, da demissão dos brasileiros que trabalham em Ciudad del Este) tenta-se articular a realização de obras como a segunda ponte (altura das três fronteiras) e ampliações no aeroporto, sem falar em outras de caráter urbano que ativariam o uso da mão-de-obra, mormente a de baixa qualificação. A outra face da cidade a rica e decorrente da ação turística que bate recordes vai bem. É o Brasil dual, aí também.
Greves
Greves longas como essa dos barnabés de Londrina desgastam todos os setores envolvidos: o público em primeiro lugar, privado de serviços a que têm direito pelos tributos que paga; a prefeitura que não aciona o quebra-gelo e se vale do caminho da prensa (válido, mas agressivo) de não pagar os dias parados e os servidores que correm o risco de uma frustração equivalente ao tamanho dessa parede que deflagraram. Greves, em princípio, devem ser fulminantes. Mestres na especialidade são os professores estaduais e os universitários federais também que quebraram a cara com movimentos demasiadamente longos.
Folclore
Uma exposição de fotos no Museu Oscar Niemeyer da Mata Atlântica sofreu o incrível veto de uma das imagens, a de um tucano, que burocratas acharam que beneficiaria o PSDB. Até parece a censura do regime militar como a que proibiu a exibição do balé russo.
Panorama
Voltam a falar na reativação da revista ''Panorama'' que seria adquirida de Newton Dallabona. Não repitam o erro do primeiro governo Lerner, que tinha um dos diretores da publicação como fator chave na área oficial de comunicação. Redundância pra botar defeito. E quem demoliu a trama foi um concorrente da ''Paraná em Páginas'', o intrépido Cândido Gomes Chagas, cuja revista se acha também em negociações de venda.


