BRASÍLIA - A prioridade da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos é investigar a ‘‘estrutura de corruptores’’ que está por trás da manipulação dos preços dos títulos estaduais e municipais negociados no mercado financeiro, não apenas identificar eventuais corruptos no Banco Central ou no Senado. De acordo com o relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR), esse será ‘‘o eixo da investigação’’.
A CPI, avalia Requião, não pode perder seu tempo apenas caçando corruptos e esquecer os corruptores. ‘‘Vamos atrás da estrutura de corruptores, dos responsáveis pela montagem desse grande esquema de manipulação de preços no mercado de títulos públicos’’, disse. ‘‘Não estou interessado em pegar apenas pequenos funcionários do Banco Central ou políticos corruptos, que permitiram e eventualmente se beneficiaram da estrutura montada pelos corruptores.’’
Com os indícios que dispõe até agora, Requião considera possível que a CPI ‘‘esteja diante das maiores fraudes financeiras já registradas no País’’. Alguns indícios estão levando o relator a essa conclusão. ‘‘O coordenador da Dívida Pública da Prefeitura de São Paulo, Wagner Ramos, disse que em 1993 a o município tentou realizar um leilão de títulos públicos e não conseguiu’’, afirmou. ‘‘Os bancos preferem comprar os títulos estaduais e municipais por meio de corretoras e distribuidoras, com preços mais elevados do que poderiam obter se comprassem diretamente da Prefeitura ou do governo emissor’’, afirmou Requião.

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