Principal suspeito de grampo no BNDES se entrega à Justiça
Eliane Azevedo e Roberta Jansen
Agência Estado - Do Rio de Janeiro
O principal suspeito de ter feito o grampo telefônico no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o Telmo, se apresentou ontem à Justiça Federal do Rio, onde prestou depoimento à juíza Cláudia Valéria Fernandes, da 2ª Vara Federal. Telmo está com prisão preventiva decretada desde o dia 16.
Não acredito que nada do que o Telmo possa dizer nesse depoimento incrimine o João Guilherme, disse ontem o advogado José Carlos Tórtima, que representa o chefe do escritório da Abin no Rio, João Guilherme Maia. Tórtima afirmou, no entanto, que considera bastante provável o afastamento de Maia da chefia do escritório.
Para o advogado, o afastamento do cliente é resultado de uma disputa interna de poder na Abin. Está em curso neste momento uma conspiração para derrubar João Guilherme, liderada por pessoas da linha dura da comunidade de informações, denunciou. Fontes ligadas ao caso informaram que o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, conversou com Maia e lhe assegurou que ele será afastado do cargo, mas não da Abin.
O coordenador de Operações da Abin, Gerci Firmino da Silva, foi indiciado na semana passada no inquérito que investiga o grampo no BNDES por falso testemunho. No depoimento à polícia, em maio, Silva contou ter recebido um telefonema anônimo dizendo que havia material de interesse embaixo de um viaduto em Brasília. Ele foi ao local e encontrou duas fitas com gravações de conversas no BNDES. A polícia constatou, no entanto, que o telefone pelo qual Silva afirma ter tido a informação não recebeu nenhuma ligação no dia e horário alegados.





