Os funcionários das empresas Principal Vigilância e Tâmara Serviços de Limpeza, com sede em Maringá, não receberam o salário de março ontem, conforme estava combinado. O prazo havia sido pedido pelas empresas, que tentaram adiantar recebimentos para as quitações. O presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região, João Soares, disse ontem que não há dinheiro sequer para comprar os vales-transportes que terão quer ser pagos hoje. Mas o gerente regional da Principal, Nelson Santos, afirmou que amanhã tudo estará resolvido.
Para Soares, além de não haver dinheiro em caixa, um novo fator vai complicar ainda mais a história. Uma procuração dá plenos poderes ao advogado de Maringá, Osmar Margarido, para gerenciar a Principal. O documento tem carimbo do 9º Cartório de Guarulhos (SP), e foi assinado pelo proprietário da Principal, José Luiz Sander.
‘‘Acho que eles estão querendo tumultuar o processo e empurrar com a barriga os problemas ’’, reclamou Soares. ‘‘O que vai ser feito se o Sander está desaparecido e não quer pagar os funcionários?’’ Sander desapareceu há mais de uma semana. Segundo o Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança e Vigilância de Maringá e Londrina, a Tâmara e a Principal não pagaram os 3,2 mil funcionários, depois que o empresário e sócio de ambas, José Luiz Sander, teria fugido para a Espanha com R$ 5 milhões das empresas. Sander já foi denunciado no esquema de corrupção na Prefeitura de Londrina e é réu em uma medida cautelar inominada.
Soares disse que a Principal conseguiu negociar apenas a atencipação da Caixa Econômica Federal (CEF). O banco vai pagar os salários atrasados dos cerca de 400 vigilantes contratados. O problema da empresa de segurança não é novo. Há dois anos, o grupo vinha atrasando o pagamento de férias dos vigilantes, embora honrasse salários e depósitos do FGTS.

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