Principal delator deve confirmar acusações
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Atendendo pedido dos advogados dos réus do processo relativo à primeira fase da Operação Publicano, o juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, fixou em 7 de março a data para o interrogatório do principal delator do esquema de cobrança de propina e sonegação fiscal por auditores fiscais da Receita Estadual de Londrina. O auditor Luiz Antonio de Souza firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público (MP) em abril do ano passado e prestou mais de 50 horas de depoimentos. Segundo seu advogado, Eduardo Duarte Ferreira, irá reafirmar todas as acusações.
Em princípio, o depoimento de Souza estava marcado para 7 de março, mas aquele, pelo cronograma inicial, seria o quarto dia de audiência para interrogatório dos réus. Agora, porém, dia sete será o primeiro dia de interrogatórios. O dia 8 foi reservado por Nanuncio para o interrogatório da auditora Rosângela Semprebom, irmã de Luiz Antoni e também colaboradora. Os dois são os únicos auditores delatores. Com as mudanças feitas pelo juiz, não haverá audiências nos dias 2, 3 e 4 de março. Os advogados pediram uma pausa para estudar o processo e se preparar para os interrogatórios dos dois delatores.
"Meus clientes estão preparados para falar a qualquer momento e vão reafirmar o que já disseram", garantiu Ferreira. "Acho que o volume de depoimentos prestados até agora inviabilizaria qualquer defesa técnica e a inversão, colocando os réus colaboradores para depor primeiro, garante de não havia nulidades futuras", comentou o advogado. "A mudança não atrapalha em nada", garantiu o promotor Jorge Barreto da Costa, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Haverá outra pausa após esses dois depoimentos: os demais réus que residem em Londrina (50 acusados) serão ouvidos apenas a partir de 4 de abril. Os depoimentos foram marcados para entre 4 e 8 de abril e 11 e 15 de abril. Serão interrogados primeiro os réus colaboradores, especialmente empresários e contadores que admitiram ter negociado ou pago propina a auditores.
Souza é o único dos 72 auditores acusados nas quatro fases da Publicano que está preso. Pelo acordo de delação premiada, ele fica em regime fechado, na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) até junho. Depois, cumpre o restante da pena que inclui também crimes sexuais em regime domiciliar.
INGERÊNCIA
No nono dia de audiências da Publicano 1, ontem, o auditor aposentado Élio Aparecido Sanzovo, que já foi chefe da Delegacia da Receita de Londrina, confirmou que os cargos de direção do fisco são indicações políticas e que há ingerência de políticos no órgão. "Isso confirma o que meu cliente (Luiz Antonio de Souza) tem dito", declarou Eduardo Duarte Ferreira.
Outros quatro auditores da Receita de Londrina prestaram depoimentos ontem, além de três particulares. Outras 23 pessoas que haviam sido arroladas pela defesa foram dispensadas. Para hoje, 32 pessoas foram convocadas, assim como para segunda-feira. Na terça, serão ouvidas apenas testemunhas que não puderam comparecer justificadamente na data para a qual haviam sido intimadas.


