Principais conclusões, 3 meses depois
Três meses depois de ser criada a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos, seus principais integrantes já chegaram às seguintes conclusões:
- não existem precatórios (débitos que a Justiça mandou pagar) no montante alegado pelos prefeitos e governadores que emitiram títulos públicos no período de 1995 e 1996;
- a maioria dos governadores e prefeitos emitiu os títulos públicos para fazer caixa e realizar obras e não para pagar precatórios, o que é inconstitucional. Por causa disso, essas autoridades poderão ser processadas por crime de responsabilidade por suas respectivas Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais;
- as documentações de alguns Estados e prefeituras são irregulares. No caso do Estado de Alagoas, a portaria com a assinatura do ex-governador e ex-presidente Fernando Collor, que consta do processo, é falsa. No caso de Santa Catarina, a ordem de serviço assinada pelo ex-secretário de Fazenda, o atual governador Paulo Afonso Vieira (PMDB), que consta do processo, não existe, pois não foi publicada;
- o levantamento dos precatórios e o cálculo final de seus valores foi realizado, em sua grande maioria, pelo ex-coordenador da Dívida Pública da Prefeitura de São Paulo, Wagner Baptista Ramos, que está sendo considerado o cérebro do esquema;
- Wagner Baptista Ramos prestou a sua assessoria por meio da corretora Perfil, que apenas alugou o nome da empresa para que o negócio pudesse ser feito. O Banco Central já liquidou a corretora Perfil;
- a distribuidora Negocial é outra ponta do esquema. Essa empresa montou um emaranhado de empresas fantasmas e empresas laranjas para transformar o lucro obtido nas negociações com os títulos estaduais e municipais em prejuízo. O Banco Central já liquidou a Negocial;
- a empresa IBF Factoring era a laranja do esquema, onde parte dos lucros obtidos nas negociações com os títulos foi despejado. Posteriormente, os cheques assinados pelo dono da IBF Factoring, Ibrahim Borges Filho, foram preenchidos pelo dono da corretora Split, Enrico Picciotto, e depositados, em sua maioria, em nomes de doleiros. O Banco Central já liquidou a Split.





