Marcelo Caramori revela, ao longo do depoimento, ter relações próximas com Luiz Abi Antoun e conta como, aos poucos, passou a ser amigo de auditores investigados tanto por cobrança de propina como por envolvimento em um esquema de exploração sexual de adolescentes, incluindo Luiz Antonio de Souza (preso em janeiro em um motel com uma adolescente) e José Luiz Favoreto.
O ex-assessor diz que foi indicado para Beto pelo então secretário de Segurança Pública, Reinaldo de Almeida Cesar, porque sempre fazia fotografias de solenidades das polícias civil e militar. Após assumir o cargo, foi "investigado" por Abi. "Logo em seguida à assunção ao cargo de fotógrafo, assim como sua aproximação do governador Beto Richa, Luiz Abi Antoun, passou a investigar o declarante, já que lhe incumbia, entre outras atribuições, verificar os reais propósitos das pessoas que gravitavam e conviviam com o governador Beto Richa".
Caramori também contou fatos já conhecidos: o suborno a um policial do Gaeco, que recebia valor mensal (com autorização judicial) para passar informações privilegiadas ao grupo de auditores; a fraude para a contratação da Providence; a intenção do grupo autor da fraude, encabeçado por Abi, de permanecer prestando serviços de manutenção das viaturas do Estado após consumada a licitação de R$ 57 milhões.

Caixa de campanha


Outra revelação do fotógrafo é de que Abi seria "o grande caixa financeiro do governador Beto Richa". Sua atribuição seria "bancar campanhas políticas e arrecadar dinheiro proveniente de vários órgãos do Estado". O ex-assessor, no entanto, não revela detalhes.
Por meio de nota, o PSDB rechaçou as declarações de Caramori e afirmou que Abi não tratou de arrecadação para a campanha eleitoral. "Essa tarefa era de responsabilidade do Comitê Financeiro, do qual o Sr. Luiz Abi Antoun nunca fez parte", diz o texto. O partido também pretende processar o ex-assessor, preso por envolvimento em esquema de exploração sexual de menores. Ainda reforça que as contas de campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.
A assessoria de imprensa do governo do Paraná afirma que Abi "não exerce e nunca exerceu qualquer influência" na administração estadual. (L.C./Colaborou Luís Fernando Wiltemburg)

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