Primo de Litro assume posto em Dois Vizinhos
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terça-feira, 28 de agosto de 2001
Maria Duarte<BR>De Curitiba 
O governo do Estado e o comando da Polícia Civil confirmaram ontem a transferência do delegado Sebastião Gaspar, da Delegacia de Homicídios, em Curitiba, para a Delegacia de Polícia de Dois Vizinhos (46 quilômetros ao norte de Francisco Beltrão). Gaspar é primo do deputado Luiz Fernandes Litro (PSDB). Os moradores da cidade protestam e querem a permanência do atual titular, Edson da Rosa. A substituição é vista como forma de o governo atender o deputado, que tem reduto eleitoral em Dois Vizinhos.
Na semana passada, Litro votou a favor da venda da Copel, desobedecendo orientação da cúpula do partido, contrária à privatização. A direção tucana quer expulsá-lo do partido.
Segundo o delegado-chefe da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, Sebastião Gaspar será transferido em data a ser definida. O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, também confirmou a mudança. A troca de comando já motivou um protesto no município. Na última sexta-feira, cerca de 500 moradores fizeram uma manifestação em frente à Delegacia.
Alceni Guerra disse que a mudança não tem nada a ver com o episódio Copel. ''O delegado Gaspar já havia sido indicado há cerca de 60 dias para Dois Vizinhos. A mudança foi adiada por causa de um processo contra o atual prefeito, para não macular o inquérito''.
No ano passado, Rosa foi designado para apurar um suposto atentado a tiros contra o prefeito de Dois Vizinhos, Lessir Bortulli (PMDB), na véspera das eleições. Meses depois, Rosa foi afastado do cargo, que passou para a polícia de Pato Branco.
Sebastião Gaspar não estaria interessado em assumir a Delegacia de Dois Vizinhos, por conta da polêmica. A Folha procurou Gaspar, mas ele não foi encontrado.
Anteontem, Bortulli foi pedir ao chefe da Casa Civil a permanência de Edson da Rosa no posto. Não surtiu efeito. ''Ficou claro que a decisão do governo foi tomada. Eles não querem ouvir a população. Quem tem o mando, manda'', reclamou o prefeito. De acordo com ele, o número de ocorrências diminuiu na cidade depois que Rosa assumiu, há cerca de três meses. O prefeito se refere à prática de os deputados que têm o ''mando'' da região indicarem o delegado.
Guerra disse que a indicação só é acatada se o nome em questão atender a critérios políticos e técnicos. ''Nunca acontece uma nomeação cega. Se a pessoa não cumpre os requisitos, escolhe-se outro nome''.


