Enquanto as reuniões entre patrões e empregados do transporte urbano de Curitiba não chegam a um acordo para a renovação do contrato coletivo de trabalho cresce a possibilidade de um novo conflito entre a prefeitura e o governo estadual. Aliás, quando Requião era governador e Lerner prefeito houve intensa tentativa da parte da Comec de impedir a integração que naqueles dias estava praticamente em experimentação. Mas isso vem de longe e quando Lupion era governador e Iberê de Mattos, do PTB, prefeito de Curitiba, o Palácio Iguaçu baixou um édito passando as linhas de coletivos para o Estado, ação ilegal que seria, logo depois, derrubada na Justiça.
Segundo o dito popular de que quando ''um não quer dois não brigam'' até agora só vimos a paciência de faquir do Cassio Taniguchi que evitou transformar a remoção das cercas do Centro Cívico em fator de crise já que coube à prefeitura, a pedido do então governador, Lerner, a sua implantação. A mediocridade do tema não merece comentário: se é verdade que a colocação dos alambrados foi um ato de violência contra área tombada pelo seu significado histórico-cultural, a remoção é uma beligerância inútil, um factóide, simples alegoria e que em nada garantirá que sem as cercas haverá maior aproximação do povo. Pura carnavalização, enfim, de uma jogada de efeito que só diverte os festeiros de comícios e que acreditam que a ''revolução'' é apenas uma sequência de gincanas demagógicas contra opressores imaginários.
Se o dito popular e eles já foram lamentados em ensaio de Wilson Martins em torno da ''filosofia'' do Marquês de Maricá ainda vale, percebe-se que se um quiser brigar, ao outro a resignação tenderá a ser uma derrota cúmplice. A ''resistência passiva'' de Ghandi não se ajustaria ao estilo de Taniguchi, mas levaria à população, que é mais Lerner do que Requião, a concentrar energias para o pleito de 2004. Para os não engajados num lado ou no outro há em tudo isso uma lamentável dimensão de opereta bufa por sua inutilidade.
Por que Curitiba é mais Lerner do que Requião? Simples: Lerner elegeu seus sucessores e Requião não. Se Requião não expuser logo os cadáveres encontrados nos armários, dentro de dois anos terá desgaste insuperável na hipótese de Lerner vier a ser a única solução oposicionista na capital.
BIZARRICE No Fome Zero, o objetivo é que todos tenham lugar na mesa. Aqui na Assembléia, para a eleição de amanhã, a mesa já está ocupada. Gula 10.
AXIOMA Acidente com um caminhão que derramou ácido sulfúrico na BR-116 mostrou despreparo e confusão. Imaginem o dia em que houver um com Césio 90.
GLOSA A insistência dos Esteites em fazer guerra contra o Iraque, o que, a essa altura, parece inevitável, lembra a fábula do Lobo e do Cordeiro. Como sempre o Lobo, afogado na baba, alerta o quanto é perigoso o Cordeiro.
EPIGRAMA Se o governo pretende respeitar e manter as cercas do Legislativo e do Judiciário, é indispensável incluir a que circunda o Tribunal do Júri. A parafernália a remover, ao contrário de Paris, não merece uma missa.
FOLCLORE Não caiu nenhum delegado, ontem, na Segurança. A maioria, porém, continua a se equilibrar na areia movediça.
CROMO Em teus olhos, em que sempre há luz, desvendei uma sombra tênue.
AFORÍSTICO Requião teria se convencido de que o NovoMuseu deve ser preservado e não mais sediar a Secretaria de Cultura. Bom senso deixa radicais em pânico.
VINHETA Já tivemos governantes que mereciam o alambrado só para lembrar que deveriam ser cautelosos no hábito de pular a cerca. E quantos o fizeram!
SCAPS ''Meio salário mínimo é pouco em São Paulo, mas o suficiente no meio rural do Nordeste.'' Advertência da economista Sônia Rocha, da FGV, aos formuladores do Programa Fome Zero, que mostra como está equivocado.

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