Primeiro prefeito de Pontal enfrenta o impeachment
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sábado, 08 de agosto de 1998
Leandro Donatti 
O município de Pontal do Paraná, emancipado de Paranaguá no final de 95, está no seu segundo ano de existência e já contabiliza um pedido de impeachment contra o seu primeiro prefeito. Eleito em outubro de 1996, Hélio de Queiroz (PTB) foi alvo de uma denúncia feita à Câmara Municipal, na noite da última quinta-feira.
Anacleto Paraná de Oliveira, Carlos Eduardo Curi de Souza e Paulo Roberto Kisca protocolaram pedido de cassação do mandato do prefeito acusando-o de superfaturar serviços e desviar recursos públicos. O presidente da Câmara, Conrado Gonçalves Pinto Filho (PDT), pretende definir nesta semana como será o encaminhamento da questão.
Aliado do prefeito, o vereador garantiu que não pretende engavetar a denúncia nem descartar já a posssibilidade de instauração de uma Comissão de Inquérito para investigar as acusações. Na verdade, o nosso secretário exagerou ao anunciar o pedido de impeachment contra o nosso prefeito, tenta minimizar.
Pinto Filho informou ainda que já acionou o Tribunal de Contas (TC) do Paraná para verificar o resultado do julgamento das contas do município nestes dois primeiros anos de gestão. Estas informações são fundamentais para tomarmos um posicionamento, observou.
Lourival Rocha Mantovani (PSDB), o único dos nove vereadores que faz oposição ao prefeito, diz que vai levar a apuração até o fim. A Câmara Municipal de Pontal do Paraná não pode ser conivente e abrir mão de investigar as denúncias. O município é recente, mas deve ser tratado com respeito, afirmou.
Hélio de Queiroz passou a sexta-feira em Curitiba tentando solucionar o impasse criado em torno do seu mandato. Reuniu-se pela manhã com o presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), deputado que subescreveu o projeto do vice-prefeito de Curitiba, ex-deputado Algaci Túlio (PTB), desmembrando o município.
O prefeito acredita que a agregação de taxas autorizada durante seu governo, o que acabou aumentando o Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU), pode ter sido um dos motivos para o pedido de impeachment. Eles tentaram alterar a minha decisão na Justiça e não conseguiram, afirmou. Queiroz disse que a medida melhorou a vida dos cerca de 10 mil habitantes, que passaram a contar com melhores serviços.
É um festival de fofocas que tentam me incriminar. Se achavam que Pontal do Paraná iria se transformar numa Miami já nos primeiros anos do meu mandato, isso não ocorreu. Tenho um orçamento de R$ 8 milhões, basicamente de IPTU, e tenho uma cidade para administrar. Todo o começo é difícil, rebateu Queiroz, que se diz tranquilo quanto aos desdobramentos do pedido protocolado na Câmara contra ele.


