Primeiro nissei a ocupar uma vaga na Assembléia Legislativa
Recordista brasileiro em número de mandatos, Antônio Ueno foi homenageado ontem em Assaí pela Aliança Cultural Brasil-Japão e Liga Desportiva Norte Paranaense. A homenagem é uma comemoração ao recebimento da medalha do mérito legislativo por seus 30 anos de atividade parlamentar. A medalha foi entregue em janeiro pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Luiz Eduardo Magalhães (PFL).
Ueno começou a carreira política pelo PSD como vereador, em Assaí, e teve dois mandatos (1955 a 1959 e 1959 a 1963). Em 1963 foi eleito deputado estadual - o primeiro nissei (filho de japoneses) a assumir uma vaga na Assembléia Legislativa. Em 1966 foi eleito para seu primeiro mandato de deputado federal pelo PDC. Ele já foi da Arena, do PDS e filiou-se ao PFL em 1986.
Preocupado em fazer um sucessor e com a pouca representatividade política da colônia japonesa, Ueno criou o Instituto Andorinha, uma instituição apartidária que pretende estimular a formação política de jovens. A andorinha é seu símbolo desde a primeira campanha. Ela volta sempre ao ninho, justifica. A gratidão e o culto ao passado (Onko tishin, em japonês) ele mescla com o Onegai (peço o favor de uma ajuda). Não apenas em época de eleição, garante.
Ueno reconhece que a colônia japonesa ainda é muito tímida em termos políticos, apesar de o Estado ter hoje 15 prefeitos nisseis e mais de 50 vereadores. Na Câmara dos Deputados, ele diz que a representatividade da colônia também é baixa: são apenas quatro num universo de 513 deputados. Éramos em cinco, mas com a morte do Homero (Oguido) restaram três deputados de São Paulo e eu, lembra. Ele defende que o cidadão seja estimulado para a política desde jovem. Essa timidez é própria do estilo oriental, que ensina primeiro a obrigação depois os direitos, mas aos poucos o quadro tende a mudar, espera.
Ueno está de olho no neto Rogério, de 14 anos. Ele tem facilidade de conversar, já fala inglês, espanhol e está indo na escola japonesa. Para ser político internacional tem que aprender a cultura e a língua, planeja o avô. (P.Z.)





