Entre os membros do primeiro escalão réus no esquema, os de maior importância para o esquema, segundo as ações, foram os que exerceram os cargos de ex-secretários de Governo Gino Azolini Neto e Wilson Mandelli; os de Fazenda Luiz César Guedes e Ismael Mologni (falecido em 2006); o ex-procurador jurídico Eduardo Duarte Ferreira e o ex-presidente da Sercomtel Rubens Pavan, que permanece advogando em Londrina.
Mandelli, com formação em engenharia civil, está aposentado e mora em Londrina. Segundo seu advogado, Ronaldo Neves, "Mandelli tem sido absolvido na maioria dos processos". "Ele assinou licitações, mas, era apenas um secretário; quem tinha o poder de autorizar os pagamentos era o prefeito da época". Pavan, que é advogado em Londrina, não foi localizado. O advogado Fabiano de Oliveira, que defende o ex-secretário de Fazenda, Luiz César Guedes, disse que assumiu o caso há pouco tempo e também não deu mais detalhes.
Ouvido pela reportagem, Azzolini negou ter conhecimento do esquema, alegando que ocorria dentro das autarquias e que suas assinaturas constam em documentos formais, como autorização para abertura de procedimentos. "Não tenho nenhuma condenação administrativa no Tribunal de Contas", argumentou. Prestes a completar 65 anos, o procurador da Fazenda Federal aposentado vive em Londrina desde 1997, onde atua advogando contra instituições bancárias.
O ex-procurador Eduardo Duarte Ferreira, hoje advogado de Luiz Antônio de Souza, delator do esquema de corrupção na Receita Estadual apurado na Operação Publicano, é réu em vários processos do caso AMA/Comurb porque daria sustentação jurídica à quadrilha. Ele afirmou que as ações estão prescrevendo e que, "em breve, as soluções virão". Para ele, a prescrição é a melhor solução "dependendo da ótica da denúncia".
Outra importante figura no esquema foi o publicitário Waurides Brevilhere, que acabou confessando aos promotores como participou do esquema fraudulento para pagar dívidas de campanha. Hoje ele mora em Curitiba, onde continua a exercer sua atividade no ramo da propaganda. Porém, a reportagem não conseguiu manter contato com Brevilhere. "Ele fez acordo de delação premiada. Colaborou com as investigações, revelando como eram as relações com a imprensa, mas ele não se locupletou. Prestou serviços e acabou recebendo dinheiro que vinha de desvios", afirmou seu advogado, Ronaldo Neves.

SERVIDORES
A reportagem também procurou servidores concursados envolvidos no esquema de desvios, que hoje não estão mais nos cargos. Não deram retorno ou não quiseram falar. Foram quase duas dezenas de funcionários da AMA, da Comurb e da Prefeitura envolvidos com o esquema. A maioria fazia parte do setor de compras. De maneira geral, eles ajudaram a falsificar documentos e orçamentos para fraudar as licitações, ou seja, sem eles, o esquema não teria existido ou os desvios seriam feitos com mais dificuldade.
"Os servidores foram fundamentais para que o esquema existisse", analisou a promotora Leila Shimiti. Nos processos, grande parte dos servidores admitiu que participou conscientemente das fraudes. A alegação era de que tinham medo de represálias. "Cada agente público é responsável pelo ato que pratica. A hierarquia é funcional e não autoriza ninguém a praticar ilícitos. Ninguém é obrigado a acatar ordens manifestamente ilegais", disse Leila. "Tanto que teve casos – pouco, mas teve – de gente que se recusou a assinar licitações fraudadas". (L.C./E.F. e L.F.W.)

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