Primeiro e segundo graus definem maioria do eleitorado
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domingo, 26 de outubro de 2008
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Um raio-x do eleitorado que vai às urnas hoje em Londrina, feito pela FOLHA, mostra que Ensino Superior ainda é uma dádiva para poucos no universo das 341.908 pessoas aptas ao voto no segundo maior colégio eleitoral do Paraná. Enquanto quem cursa ou já cursou faculdade ou universidade equivale a menos de 12% (total de 40.034 eleitores) do eleitorado geral, mais de 78% do eleitorado está no grupo de primeiro e segundo graus completos e incompletos (ao todo, 269.144 eleitores). Ainda dentro dessa classificação conforme o grau de instrução, eleitores analfabetos (2.511) em Londrina representam cerca de 2,5%.
O levantamento feito esta semana sobre dados do mês passado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela ainda que as mulheres são maioria: 180.960 (52,93%), diante de 160.588 (46,97%) de eleitores homens.
Pela estratificação etária, a maioria do eleitorado está concentrada na faixa dos 25 aos 59 anos, fatia que aglomera 67,5% dos votantes. A segunda maior presença no bolo é a de jovens de 21 a 24 anos e idosos de 60 a 69 anos, grupos que, juntos, representam 18,33% do total.
Para o professor de Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Cenci, o que mais chama atenção dentro da atual campanha, no que se refere ao eleitorado londrinense, é a atração das camadas jovens à campanha de Antonio Belinati (PP), prefeito em três gestões e que deixou o posto já há oito anos.
Curiosamente, o eleitorado do ex-prefeito se renova. Talvez pelo perfil mais populista na forma com que se apresenta, ele investe nas crianças: tem o discurso voltado a elas e os outros candidatos, que não têm essa perspicácia, não plantam essa semente, não cultivam, explica.
Cenci lembra que, com base nos dados do TSE e do estudo que fez da pesquisa, a geração cultivada pelo ex-prefeito é a mesma que, em 2000, acompanhou a cassação dele pela Câmara de Vereadores. Isso pode ser sinal de um ambiente familiar muito favorável ao candidato. Além do mais, depois de oito anos os fatos vão se apagando da memória, mesmo aquela crise toda, acredita o estudioso, que vê ainda um fator a mais: Há fatores que ajudam a apagar a crise vivida aqui, naquela época: a sucessão de escândalos políticos desde o mensalão (2005), a própria Câmara de Vereadores de Londrina, este ano... isso tudo, para o eleitor, acaba jogando os políticos em uma mesma vala comum.
Indagado sobre que faixa etária é mais propensa a mudar o voto, o professor garante: São justamente os mais jovens. Conforme a idade avança, o voto vai se solidificando, disse. Não há uma contradição? Não, pois, apesar desse cenário, a impressão ainda é a de que, em política, são os jovens que querem mudanças.
Quando a análise é sobre os dados relacionados ao grau de escolaridade, o professor faz questão de separar Primeiro Grau de Segundo Grau. Por quê? Porque eleitores até 4ª série, pelo estudo que fiz, preferem Belinati, assim como os de 5ª a 8ª . Já no Ensino Médio, há um empate entre os candidatos, e no Ensino Superior, Luiz Carlos Hauly (PSDB) tem larga maioria.
Para o estudioso, o grau de instrução revela duas vertentes: a renda e o acesso à informação. Quem tem Ensino Superior tende a ter renda maior; tem, portanto, acesso a vários meios de informação.
Como define o eleitor londrinense, portanto? O filósofo político arrisca: É um eleitor que tem envolvimento expressivo na política, tanto que o número de filiados aqui está acima da média no estado. Além disso, é um eleitor que historicamente vê o envolvimento da imprensa e o acompanhamento do cenário político da cidade não é por acaso que 70% da atual Câmara foi renovada no primeiro turno, salientou.
A FOLHA quis saber: isso basta para definir o eleitor de Londrina como consciente? Uma das coisas mais graves da democracia é a descrença se os cidadãos deixam de participar e de se envolver em projetos, ele abre espaço para salvadores da Pátria e para populistas, para o poder econômico, porque os candidatos realistas não convencem mais o eleitor e a polarização do atual segundo turno indica isso. Ou seja, há que se avançar, define.


