O primeiro depoimento tomado pela Comissão Processante (CP) instalada para apurar denúncia de quebra de decoro parlamentar contra o ex-vereador Orlando Bonilha (PR), ontem à tarde, o eximiu de qualquer participação em suposto esquema de corrupção dentro da Câmara de Londrina. Funcionário do empresário Alexandre Guimarães, o auxiliar financeiro Rômulo Cotrim disse que não teve contato com Bonilha, que sequer o conhece e que, de fato, teria entregue um envelope com dinheiro ao então vereador Henrique Barros (sem partido), no dia em que este foi preso.
Cotrim é uma das testemunhas ouvidas no inquérito do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), insturado em janeiro após a prisão de Barros, em flagrante, de posse de R$ 9,9 mil supostamente oriundos de propina. À época, o funcionário relatou que Barros passara na casa noturna Empório Guimarães para receber um envelope com R$ 5 mil em notas de R$ 50 - parte do dinheiro que Guimarães disse ter sido exigido para ver aprovado a mudança no Código de Posturas que ampliou o horário de funcionamento de outro estabelecimento seu, o Mercado Guanabara.
Assustado, em uma primeira abordagem da imprensa Cotrim se limitou a responder que não entregara envelope algum a Barros. Após o depoimento à CP, contudo, admitiu: ''Só entreguei envelope ao vereador (Henrique Barros) aquela vez. Quanto ao Bonilha, nunca o vi na minha vida''.
A assistente administrativa Camila Rodrigues dos Santos, ligada ao empresário Maurício de Biagi, não compareceu - mas encaminhou ofício em que reafirmou o teor do depoimento ao Gaeco: que teria entregue um envelope lacrado a Barros, no dia da prisão dele, por ordem do patrão. O terceiro depoente do dia, o advogado Ricardo Amorin, que depôs ao Gaeco ter presenciado supostos achaques de Barros a Guimarães, foi outro que não compareceu - justificou viagem a Brasília. Por sua vez, o último intimado a depor, o sócio propietário do Posto San Petro Thiago Santaella, onde o ex-vereador teria trocado o cheque de Biagi, não foi e não apresentou justificativa.
O advogado Marcos Ticianelli, que representa Cotrim, Camila e os dois empresários, admite que os depoimentos pouco afetam a situação de Bonilha. ''Tecnicamente é até bastante razoável que a defesa dele (Bonilha) os tenha arrolado (os empresários) como testemunhas, pois em momento algum tiveram contato com esse vereador'', comentou.
Os próximos depoimentos da CP, na próxima quarta, devem ser de Amorin e também Barros, dos dois empresários e do empresário Carlos Messas.

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