Os seis candidatos à Prefeitura de Londrina, incluindo o prefeito cassado Barbosa Neto (PDT), cuja candidatura está sendo questionada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), participaram na noite de quinta-feira do primeiro debate televisivo dessas eleições e, num clima morno, trocaram alfinetadas e discutiram superficialmente propostas de governo. O encontro, promovido pela TV Tarobá, começou às 22 horas e durou duas horas, divididas em quatro blocos. Apenas um pedido de direito de resposta foi feito, mas negado pela comissão julgadora. o debate teve tradução para libras.
Antes do início do programa, apenas Luiz Eduardo Cheida (PMDB) e Valmor Venturini (PSOL) admitiam abertamente a intenção de ''cutucar feridas'' dos adversários. Porém, no transcorrer do debate, apenas Marcelo Belinati (PP) não provocou ninguém e evitou inclusive revidar os ataques decorrentes de sua ampla coligação com 14 partidos.
No primeiro bloco os candidatos foram perguntados por eleitores entrevistados pela emissora sobre geração de empregos, segurança, limpeza de bueiros, transparência, segurança e saúde. Ao responder sobre transparência e controle social, Venturini desferiu o primeiro golpe, falando sobre o fato de a cassação de Barbosa ser a segunda da história. Assim, atingiu também Marcelo Belinati, sobrinho do ex-prefeito Antonio Belinati, cassado pela Câmara em 2000.
No segundo bloco Venturini voltou a cutucar Barbosa, perguntando se o ex-prefeito não se sentia constrangido por participar do debate, mesmo cassado. O pedetista aproveitou para defender sua tese de ser vítima de uma armação para que não disputasse a reeleição e afirmou ter certeza de que voltará ao cargo. Venturini disse que não foi golpe, citando todas as investigações que pesam sobre o governo de Barbosa.
Cheida, ao responder sobre falta de médicos, disse que ''a saúde talvez seja a grande questão que faltou nesta administração que acabou na segunda-feira''. Mais à frente, no terceiro bloco, ao escolher Barbosa para perguntar, Cheida indagou: ''Onde foi que o senhor errou?''. Barbosa revidou, questionando o fato de o peemedebista, formado em medicina, não ter exercido recentemente a profissão. ''Há quanto tempo não pega num estetoscópio e não põe um aventual?''. Travou-se um rápido bate-boca e Cheida pediu direito de resposta, que foi negado pela comissão julgadora.
Alexandre Kireeff (PSD), que participou pela primeira vez de um debate na disputa de um cargo político, cutucou Marcelo, perguntando se a ampla aliança não resultaria em falta de independência para reformas e não incharia desnecessariamente a máquina pública. O pepista disse que sua candidatura é de união, de pacificação entre as forças políticas da cidade. Kireeff, que é empresário, insistiu na tese de levar a eficiência da iniciativa privada para a gestão pública. A proposta mais concreta também partiu do candidato do PSD: manutenção da guarda municipal criada por Barbosa mas sem armas letais.
A candidata do PT, Márcia Lopes, também foi alvo de Venturini, que a questionou sobre que tratamento adotaria com os servidores públicos, já que na administração do ex-prefeito petista Nedson Micheleti a briga com o funcionalismo e ausência de reposição das perdas salariais foi um dos fatores de intenso desgaste. ''Eu sou a Márcia Lopes. Vou discutir pessoalmente com os servidores.'' A petista, em suas respostas, mostrou tendência de que se apoiará na popularidade da presidente Dilma Rousseff, nos cargos que exerceu no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, como secretária-geral e ministra, e no fato de ser mulher.

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