Os candidatos a prefeito de Londrina cumpriram a promessa de ‘‘bom nível’’ e garantiram tom moderado durante o primeiro debate do segundo turno das eleições, transmitido ontem de manhã pela TV Cidade (SBT). Durante uma hora e meia, Barbosa Neto (PDT) e Nedson Micheleti (PT) foram sabatinados pelos jornalistas Lúcio Horta ( Folha de Londrina/Folha do Paraná ), Fábio Silveira (Jornal de Londrina), José Maschio (Folha de São Paulo) e Rodrigo Parra (TV Cidade). Pela primeira vez, o público pode participar através de perguntas feitas por telefone. Foram computadas 162 ligações de diversos locais da cidade. No debate, dividido em cinco blocos, os candidatos também fizeram perguntas entre si.
Barbosa Neto, o candidato mais pressionado, reafirmou sua fidelidade ao PDT. Ele disse que não se sente constrangido pelo PPB, partido de Paulo Maluf, candidato à Prefeitura de São Paulo, apoiar o PDT. Em outro momento delicado, Barbosa foi questionado sobre a atuação dos ‘‘irmãos Jannani’’ (Assad, candidato a vice, e José Janene, deputado federal) em seu governo, caso fosse eleito. ‘‘Sou intutelável’’, respondeu Barbosa. Um dos jornalistas observou que o ex-presidente Fernando Collor, também dizia que ‘‘ninguém lhe punha cabresto’’. Barbosa Neto considerou-se ofendido por ter sido comparado a Collor.
O candidato do PDT foi questionado mais de uma vez sobre sua intenção de recomprar os 45% das ações da Sercomtel adquiridas pela Copel. Segundo Barbosa, a reaquisição das ações deve ser feita, mesmo que a Copel não queira vender. A visita que Barbosa Neto fez à chácara do prefeito cassado Antonio Belinati (PFL), no início da campanha, voltou a ser discutida. O candidato do PDT respondeu que visitou todos os adversários e não concorda com posturas ‘‘xiitas’’ na política. Ele afirmou que os ‘‘poderosos’’, os candidatos derrotados no primeiro turno, com os quais ele não teria nenhum vínculo, estariam apoiando o PT.
Mais poupado pelos entrevistadores, Nedson Micheleti disse que não tem qualquer ligação com grupos financeiros e políticos. Ele contestou a afirmação de que Belinati estaria apoiando sua candidatura. Segundo Nedson, houve uma distorção dos fatos, quando Belinati declarou que o candidato do PT poderia ganhar as eleições.
Sobre a flexibilização do horário do comércio na cidade, Nedson reafirmou sua posição contrária. Ele disse que ‘‘quem tem dinheiro para fazer compras não deixa para ir às lojas no sábado à tarde’’. O candidato do PT declarou que também não concorda com invasão de terras e nem com ocupação de áreas de fundo de vale. A reforma agrária, de acordo com Nedson, seria a solução para pôr fim nessas atitudes extremas.
Em relação ao símbolo da campanha do PT, uma estrela amarela, Nedson comentou que é questão de marketing. O partido, para Nedson, não ‘‘amarelou’’.

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