A chegada de Sérgio Moro ao Ministério da Justiça foi recebida com otimismo pelo delegado da Polícia Civil do Paraná, Luiz Alberto Cartaxo. Ex-diretor do Depen (Departamento Penitenciário do Paraná), o policial chegou a tratar temas sobre presos com o ex-juiz, contato que causou uma boa impressão. "Me chamou a atenção sua capacidade de diálogo e como ouviu atentamente às questões apresentadas. Acredito que ele terá um primeiro ano muito difícil, mas fará um excelente trabalho", apostou Cartaxo. Ele também acredita que a escolha dos nomes para compor as chefias da pasta em Brasília foi acertada, em especial a dos delegados Maurício Valeixo, como diretor-geral da Polícia Federal, e Fabiano Bordignon, como chefe do Departamento Penitenciário Nacional. "Conheço pessoalmente os principais nomes da equipe montada por ele e posso dizer que são pessoas de altíssima qualificação. Acredito nesse projeto", afirmou.

Para Cartaxo, o tema fundamental do trabalho de Sérgio Moro como ministro da Justiça é o combate à corrupção. A questão em si é muito ampla e, além da classe política, envolve as empresas, responsáveis pelos ganhos gerados pelos crimes do colarinho branco. O delegado imagina que o trabalho de compliance terá um papel fundamental nos próximos anos. "Acredito que o ministro é uma pessoa extremamente qualificada. Isso é comprovado por seu passado profissional e de estudo sobre o maior problema do nosso País: a corrupção. Sua missão será combater essa prática não só como um fato criminoso, mas como parte da cultura do brasileiro", apontou. "A segurança pública está fora de controle e o discurso do presidente foi ao encontro dos anseios da maior parte da população. A questão das armas, por exemplo. Ter a posse de arma como é proposto é mais seguro. É muito melhor ter um arsenal conhecido e controlado pela polícia do que como era antes, descontrolado e completamente ilegal", avaliou.

As medidas que são apontadas como linha de trabalho do ministro Moro, se aprovadas no Congresso, devem causar um maior rigor na execução das penas e, consequentemente, um aumento no número de presos. A atual situação do sistema penitenciário brasileiro, segundo Cartaxo, precisa de uma completa revisão. Não só no que diz respeito aos presídios, como também ao sustento. Segundo o delegado, quando deixou o órgão responsável do governo do estado em maio de 2018, um preso comum custava aos cofres do Paraná R$ 3.500 por mês. "Não ouso nem tentar apontar quando custa ao estado um preso de alta periculosidade. São valores absurdos, que os cidadãos são obrigados a pagar", critica. Em sua opinião, o sistema brasileiro deve ser apontado para a autossustentação. "O preso também precisa arcar com o custo. Não com trabalho forçado, mas, se todos precisam trabalhar para se sustentar, por que quem está na cadeia não tem essa obrigação? Tive a felicidade de deixar o Depen com 44% dos presos estudando e 32% deles trabalhando, mas isso hoje depende da disposição do presidiário", concluiu.

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