A presença maciça de deputados ontem na Câmara permitiu a retomada da votação da reforma administrativa, mas a quebra da estabilidade do servidor público - a proposta mais polêmica - ainda não pôde ser votada, porque falta entendimento sobre o assunto na base de apoio ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
Na primeira votação do dia o governo conseguiu manter intacto o texto que permite contratos de gestão de instituições sociais com a administração direta, como educação e saúde. As oposições queriam impedir que as instituições gestoras possam fixar o salário dos servidores. Foram derrotadas. Por 351 votos a favor, 120 contrários e nove abstenções, o governo venceu. O contrato de gestão é uma forma indireta de se mexer na estabilidade, pois permite a terceirização de serviços hoje entregues unicamente à administração pública.
Em maioria e com número suficiente para lhes assegurar confiança, os líderes dos partidos aliados ao presidente Fernando Henrique Cardoso começaram a dar preferência para emendas feitas pelas oposições. Estas, percebendo que seriam derrotadas, passaram a retirar as suas propostas uma atrás da outra. ‘‘Está ficando fácil votar’’, disse o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).
Os líderes governistas perceberam que por trás da retirada das emendas, as oposições tinham descoberto uma fórmula de acelerar o processo, para entrar logo na quebra da estabilidade e no fim da igualdade de vencimentos entre servidores ativos e inativos. O líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), deixou, então, que o deputado Marcelo Deda (PT-SE) fizesse o encaminhamento de uma proposta que torna mais clara a irredutibilidade do salário dos servidores públicos. Quando Deda ia retirar a emenda, Inocêncio disse que o processo de votação começara. Não havia mais tempo, segundo ele, para a retirada. O presidente da Câmara pediu prazo até hoje para responder. E o governo ganhou mais tempo.

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