Primeira rodada de negociação com servidores termina sem acordo
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quinta-feira, 29 de março de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Foram cerca de três horas e meia de reunião a porta fechada - por determinação da Prefeitura -, 28 cláusulas discutidas na pauta e uma 'decisão': o agendamento de outra reunião, no mesmo horário e local, para o próximo dia 11. Foi assim que terminou ontem a primeira rodada de negociação entre servidores e Executivo, desde o fim da greve ocorrida em março e abril de 2005. Ano passado, foram outros 106 dias de paralisação pela reposição da inflação acumulada ao longo de seis anos - atualmente, nos cálculos do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv), o índice já ultrapassa os 30%.
O encontro foi realizado em uma sala de reunião da Caapsml e teve de ser fechado, segundo a assessoria de imprensa do prefeito Nedson Micheleti (PT), pelo seguinte argumento: ''Se quiserem negociar, é assim''. Dos 17 presentes, sete eram servidores de carreira indicados pela Prefeitura - um da Controladoria, um da Procuradoria, uma funcionária da Fazenda e quatro da Gestão Pública. Os demais eram indicações do Sindserv, que levou dois diretores da entidade. No início do encontro, foi informado à imprensa que o secretário municipal de Gestão, Jacks Dias, chegaria por volta das 16h30. Nem ele, nem nenhum outro representante direto de Nedson compareceram.
Inicialmente com 26 itens, a pauta da reunião ganhou outros dois que também não tiveram ontem um parecer final: o desconto dos dias parados em 2006 - que ocorre desde dezembro, graças a liminar - e o aumento da margem de consignação do desconto em folha, hoje em 30% para financiamentos.
De acordo com o diretor de Comunicação do Sindserv, Éder Pimenta, a única proposta efetiva do Executivo foi a formação de uma comissão permanente de acompanhamento das receitas do município. O dirigente reclamou da ausência de membros da administração. ''Acabou sendo uma conversa amigável de servidores com servidores; terceirizaram até isso'', ironizou, para completar: ''Mas esperamos de verdade que essa reunião do dia 11 traga de volta os itens econômicos e sociais da pauta, com decisões e com o secretário. Hoje, nos deixaram na mão''.
Também ausente da reunião por decisão comunicada em assembléia, o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, resumiu: ''Acreditamos que é um avanço sentar para negociar - agora, há que ver se é marketing ou maturidade administrativa em querer resolver o problema. A população tem que se perguntar isso'', sugeriu.
O secretário de Gestão negou que compareceria à reunião no final da tarde. ''Isso foi debatido hoje (ontem) de manhã, não tem nada a ver'', refutou. Em seguida, Jacks admitiu que a composição indicada pela Prefeitura foi uma espécie de ''modernização das relações de trabalho'': ''São técnicos, e com liberdade para apresentar propostas de encaminhamentos. Creio que isso permite uma relação mais amigável, mais respeitosa'', argumentou.


