Primeira condenação do doleiro poderá ainda sair nesta semana
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de janeiro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba Com o final do recesso judiciário na próxima terça-feira, o juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, e que está à frente dos processos da operação Lava Jato, deve proferir nesta semana a sentença da ação penal sobre o envio para o exterior de US$ 444,6 milhões por meio de 3.649 contratos fraudulentos de câmbio entre julho de 2011 e 17 de março de 2014. Conforme demonstra o andamento do processo, os autos estão com o magistrado para sentença.
Conforme acusação do MPF, Alberto Youssef e seus "comparsas" teriam efetuado esses contratos para pagamentos de importações fictícias, utilizando empresas de fachada ou em nome de pessoas interpostas, especificamente a Bosred Serviços de Informática Ltda.ME; HMAR Consultoria em Informática Ltda.ME; Labogen S/A Química Fina e Biotecnologia; Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen Ltda.; Piroquímica Comercial Ltda.EPP; RMV e CVV Consultoria em Informática Ltda.ME; assim como as offshores DGX Imp. and Exp. Limited e RFY Imp. Exp. Ltda.
Em suas alegações finais, o MPF pediu a condenação do doleiro pela prática de organização criminosa, operação de instituição financeira sem autorização, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Nas alegações finais, o MPF também pediu a condenação de Leonardo Meirelles e Leandro Meirelles por organização criminosa, operação de instituição financeira sem autorização e evasão de divisas. Já em relação a Pedro Argese Junior, Esdra de Arantes Ferreira, Raphael Flores Rodriguez e Carlos Alberto Pereira da Costa, foram pedidas condenações parciais.
OUTROS PROCESSOS
Youssef já foi absolvido no processo em que ele teria sido acusado de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A decisão de Moro levou em conta a falta de provas para condenar o doleiro. Ele ainda responde a outros nove processos: o de maior repercussão, que trata sobre o desvio de recursos da Petrobras em que parte dos valores seriam utilizados para pagamento de propina a partidos políticos; outro sobre a operação irregular de instituição financeira e evasão de divisas no valor de US$ 78,2 milhões mediante 1.114 contratos de câmbio fraudulentos envolvendo duas empresas offshore entre junho de 2011 e março de 2014; e outro sobre crimes de lavagem de dinheiro contra a administração pública federal, de parte do dinheiro do mensalão (processo em que familiares de José Janene também são citados). Além desses, ele também foi citado em todas as seis ações penais decorrentes da sétima fase da Lava Jato, quando executivos e funcionários de seis empreiteiras foram presos.
VARGAS
Durante as investigações, o caso Labogen ficou conhecido também porque o ex-deputado federal André Vargas (sem partido-PR) teria intermediado interesses de Youssef e do laboratório em contratos com o governo federal. (R.C.J.)


