Melhores na teoria que na prática, as prévias para a escolha de candidatos à sucessão presidencial já se transformaram no grande problema da primeira campanha pós-reeleição. No PMDB, a possibilidade de vitória do governador de Minas, Itamar Franco, tira o sono da cúpula, que tentará diminuir o colégio eleitoral da disputa. No PT, Luiz Inácio Lula da Silva avisou os dirigentes que não se inscreverá para nenhuma prévia. Preocupados, seus companheiros garantiram que vão registrá-lo.

Entre os tucanos, ninguém sabe como resolver o impasse. ''Essas disputas sempre ultrapassam a linha do racional porque fica uma coisa de torcida, que deixa sequelas na campanha'', disse o presidente do PSDB, José Aníbal (SP).

''Tem gente que entra em prévia só para fazer nome, mas isso faz parte da democracia, que não é perfeita'', ressalvou o deputado José Genoíno (SP), vice-presidente do PT. ''Acho apenas que o PT tem de exigir que os concorrentes tenham representatividade e apoiadores para inscrever-se'', completou.

''Mas como se organiza e fiscaliza prévia com 80 mil filiados?'', questionou o presidente do PMDB, Michel Temer. ''No PMDB, seria uma tragédia.'' O desgaste para Lula, quando sua rejeição diminui, é temido no PT. Assim como ele, a cúpula gostaria que não houvesse prévia, mas terá de convencê-lo a disputar a indicação. Motivo: avalia que o marketing do senador Eduardo Suplicy (SP), único inscrito até agora, pode criar problemas maiores.

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