A Executiva Nacional do PMDB decidiu ontem, por 11 votos a 3, que apenas quatro mil filiados estarão aptos a votar na prévia do partido, marcada para o dia 20 de janeiro, e que irá escolher o candidato à sucessão presidencial. Terão direito a voto os prefeitos eleitos pelo partido (1.284 votos), os deputados estaduais (159) e federais (88), os senadores peemedebistas (24), os delegados que participaram da convenção nacional do partido, em 9 de setembro; toda a executiva nacional (17 integrantes), o conselho político do PMDB, (57 integrantes), além dos governadores do partido (5) e os presidentes dos diretórios estaduais (27).

A decisão do partido foi criticada pelo senador Maguito Vilela (GO), ligado ao grupo do governador mineiro Itamar Franco, que considerou a redução do número de votantes na prévia um ''golpe em um governador honrado e que é o candidato (à sucessão presidencial) mais competente''. ''O colégio reduzido é manipulável'', completou Vilela.

Itamar Franco defendia a realização de prévias com a ampla participação de todos os filiados peemedebistas, o que chegaria a um total de cerca de cem mil votantes. Vilela disse que a cúpula do PMDB quer ''acabar com o partido'' ao estabelecer uma prévia com quatro mil votantes. O governador Itamar Franco foi representado na reunião da Executiva pelo secretário de Governo Henrique Hargrevaes que apenas comentou: ''Pode quem manda e manda quem pode''.

O presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), do grupo de peemedebistas contrário a Itamar, afirmou que o vitorioso na reunião não foi ele, e sim o PMDB. ''O PMDB vai fazer uma prévia fiscalizada, altamente representativa, onde todos os que têm direito a voto poderão se manifestar'', disse. Temer não quis comentar as declarações do grupo de Itamar. A expectativa agora é se Itamar Franco irá desistir de sua candidatura e desistir de participar da prévia.

mockup