O governo vai solicitar ao governo da Itália a prisão preventiva, para efeito de extradição, do ex-presidente do Banco Marka Salvatore Alberto Cacciola caso ele não volte ao Brasil na semana que vem para depor à Polícia Federal. Cacciola estaria em Roma e vem prometendo, por intermédio de sua assessoria no Rio, retornar ao Brasil na próxima segunda-feira. Para municiar todos os procedimentos que deverão ser adotados caso o ex-banqueiro se recuse a depor, o governo já determinou um levantamento de todos os processos que estejam em tramitação contra Cacciola na Justiça brasileira. A documentação servirá de referencial para sustentar um pedido de prisão temporária, caso ele esteja no exterior e não volte ao Brasil.
O governo brasileiro espera as cópias de todos os processos para fazer uma avaliação sobre o melhor caminho a ser seguido para pedir a prisão preventiva de Cacciola. A expectativa é que surjam nos próximos dias provas concretas de que Cacciola teria subornado funcionário do BC para conseguir informações privilegiadas, o que facilitaria a formalização de um pedido de prisão temporária na Itália ou em outro lugar.
Mesmo que não surjam provas no decorrer do inquérito, o governo vem analisando outros caminhos jurídicos, exemplo de dispositivo que permitiria a prisão provisória de pessoas que tecnicamente tenham capacidade de influir no andamento de um processo. Se Cacciola tentar fugir da Itália para outro país, o governo já estuda incluir o banqueiro na Difusão Vermelha da Interpol, a associação de polícias federais de vários países do mundo. Por intermédio deste sistema, a fotografia e os dados dos criminosos procurados pela Justiça são afixados nos sistemas de computador das polícias, nos aeroportos e fronteiras.
Cacciola foi naturalizado brasileiro em 7 de fevereiro de 1972. Processado pela Justiça desde 1996, em novembro de 1997 ele viajou para San Francisco (Califórnia), com autorização da Justiça Federal no Rio. No primeiro semestre de 1998, ele fez duas viagens aos EUA. Em março de 1998, o TRF do Estado concedeu habeas corpus permitindo que ele viajasse sem autorização prévia. Nesta época, ele já respondia a processo por forjar empréstimos do Marka.

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