''Combater a corrupção é importante, mas muito mais inteligente é agir de forma preventiva.'' É com esta frase que um dos coordenadores do Observatório Social de Maringá, o auditor da Receita Federal, Décio Pialarissi, explica os objetivos do trabalho nascido há quatro anos entre os membros da Sociedade Eticamente Responsável (SER) - entidade da sociedade civil criada para elevar os padrões morais da política local.
Atualmente, o Observatório transformou-se num dos mais importantes fiscais da administração pública local: com a participação de voluntários e estagiários, o órgão fiscaliza previamente 5% das licitações da Prefeitura de Maringá e 100% da Câmara. A inicitativa consegue sanar os vícios legais quando os prejuízos ainda não foram causados. Exemplos: o custo de escovas dentais infantis, adquiridas pelo município, caiu 1.300%; de pomada ''com retinol'', 424%; e de esparadrapo, 320%.
O concurso de redações, cuja premiação foi distribuída ontem, faz parte das ações educativas do projeto. ''A gente persegue algo que é muito simples, mas que não se cumpre. Os produtos adquiridos pelo poder público têm que ter preço compatível ao que é pago pelo cidadão comum: a data e o local de entrega têm que ser abertos à população para que sejam verificados sua quantidade e qualidade. A sociedade precisa se certificar de que a compra atende ao interesse público'', resumiu Pialarissi. ''Na análise das próprias licitações, a gente já percebe muitas tentativas de direcionamento, como exigência de uma determinada marca ou de um número mínimo de funcionários na empresa fornecedora.''
A cobrança por transparência nos gastos públicos foi levado pelo Observatório às eleições deste ano. A entidade preparou um documento com diversas exigências quanto à divulgação dos gastos públicos que será submetido aos candidatos à prefeitura. ''Faremos uma solenidade para que todos eles se comprometam com a transparência'', afirmou.(F.C.)

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