Prestação de contas mostra campanhas milionárias no PR
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segunda-feira, 04 de dezembro de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A disputa eleitoral para o governo do Estado, este ano, reuniu duas composições muito fortes, o que ficou comprovado tanto nas urnas, pela pequena diferença de votos entre os dois candidatos, quanto nas prestações de contas, que demonstraram gastos milionários para conquistar o eleitor. Grupos econômicos ligados, principalmente, ao agronegócio e à construção civil, além de instituições financeiras, aparecem como doadores das duas campanhas. A maior distinção entre uma e outra está nos valores arrecadados: R$ 12,9 milhões para Requião (veja infográficos) e R$ 7,1 milhões para Osmar dias.
Não é um jogo para amadores. É preciso muita experiência e capacidade de mobilização financeira, afirmou o cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Costa de Oliveira. Para ele, existe uma relação direta entre financiamento, capitais e o sucesso eleitoral. Essa campanha mostrou que o dinheiro elege sim, acrescentou, referindo-se a alguns dos deputados estaduais e federais eleitos que, inclusive, nunca tiveram cargo político.
O maior volume doado de pessoas jurídicas para a campanha de Osmar Dias saiu dos cofres do Banco Itaú: R$ 600 mil. Desde o início de seu mandato, Requião tentou retirar as contas do governo da instituição, o que conseguiu recentemente, passando-as para o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
A segundo maior cifra de pessoa jurídica para Osmar Dias R$ 250 mil foi doada pela Nortox (fabricante de produtos agropecuários), que repassou igual valor para a campanha de Requião. Outras empresas também se dividiram nas doações para ambos candidatos como a Klabin (empresa de papel e celulose), Sadia e Gerdau Aços Longos.
Das doações de pessoa física para a campanha de Osmar Dias, a maior partiu do empresário Bruno Lacombe Miraglia (R$ 100 mil), diretor-geral da Tibagi Engenharia, Construções e Mineração. A empresa venceu a licitação para construir o novo silo público do Porto de Paranaguá. Lacombe aparece como doador, também, da campanha do deputado federal reeleito Max Rosenmann (PMDB). O pecuarista e empresário Serafim Meneghel doou o segundo maior valor como pessoa física para Osmar Dias: R$ 98 mil.
Aparecem, ainda, como doadores pessoa física, políticos ou colaboradores de campanha, como Celso Torquato, João Cláudio Derosso, Antônio Leonel Poloni (ex-secretário municipal de Agricultura na administração de Jaime Lerner) e José Baka Filho (prefeito de Paranaguá). Osmar Dias colocou, do bolso, R$ 12,8 mil.
Considerando, apenas, as doações de R$ 10 mil para cima, os valores arrecadados para o pedetista, no segundo turno, tiveram um incremento de 50%: pularam de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões. O reforço veio, principalmente, de empresas que não haviam feito doações no primeiro turno como a Sperafico Agroindustrial, Brascan Energética e Fertimpart, entre outras.
De acordo com a secretária de Controle Interno e Auditoria do TRE-PR, Sônia Prestes, os gastos mais elevados na campanha deste ano são reflexo do maior rigor na declaração das despesas e restrições impostas no começo da campanha. Os gastos aumentaram, exatamente, porque estão declarando o que gastaram. Em outras eleições, o candidato dizia que o outro que fez campanha para ele e entregava a prestação de contas zerada, afirmou.


