Na base política, o governo está preocupado com todos os partidos. As pressões e ameaças de dissidências tornaram-se cada vez mais frequentes. ‘‘A atual convivência entre os partidos deverá prejudicar o futuro da aliança’’, adverte o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). Na semana passada, o pefelista chegou a cobrar um recuo dos aliados tucanos e peemedebistas que ameaçaram tomar posições partidárias em favor da cassação de ACM e Arruda. ‘‘Se não tivesse ocorrido uma interferência, seria o fim da aliança’’, observou um ministro pefelista. Bornhausen chegou a falar pessoalmente sobre o assunto com Fernando Henrique.
Mas o PFL não é o único foco de preocupação. No Palácio do Planalto, a aproximação do PTB da candidatura presidencial do ex-ministro Ciro Gomes (PPS) é vista com cautela. Até porque, explica um assessor palaciano, o tempo de televisão e a estrutura partidária do PTB dariam a Ciro as condições necessárias para ele estruturar sua campanha.
O governo também olha com atenção os recentes ataques que está recebendo do PPB de São Paulo, principalmente do ex-prefeito Paulo Maluf e do deputado Delfim Netto.
Outra ação do presidente Fernando Henrique é para evitar o afastamento do PMDB. Nos últimos dias, o Planalto ficou alerta com as manifestações dos oposicionistas do partido e com o fortalecimento da candidatura presidencial do governador mineiro Itamar Franco, principalmente depois que o senador Maguito Vilela (PMDB-GO) substituiu o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) na presidência do partido. ‘‘O quadro está muito confuso’’, reconhece o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA). ‘‘Tudo vai depender dos acontecimentos até o início do próximo ano’’, analisa. (A.E.)

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